Fontes do Itamaraty ouvidas pelo PlatôBR afirmam que a retirada da delegação brasileira do plenário da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) já estava prevista para o momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciasse seu discurso nesta quinta-feira, 24. Foi, na verdade, a repetição de um gesto que já havia ocorrido no ano passado, em protesto contra as ações militares israelenses em Gaza.
Inicialmente, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão. Outros quatro, porém, se juntaram a ele antes do discurso de Netanyahu, ainda durante o pronunciamento do vice-presidente da Colômbia, José Manuel Restrepo. A delegação brasileira se retirou praticamente ao mesmo tempo que as de outros países, provocando uma reação do próprio Netanyahu, a partir da tribuna: “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora”.
Enquanto o protesto acontecia, o chanceler Mauro Vieira co-presidia uma reunião para tratar das atividades da UNRWA, a agência da ONU responsável pela assistência a refugiados palestinos. O encontro, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha, contou ainda com a participação do secretário-geral da ONU, o português António Guterres. Vieira reforçou o posicionamento do governo brasileiro em defesa da causa palestina e condenou a destruição das instalações da agência em Jerusalém Oriental.

