No cenário de polarização cristalizada entre Lula e Flávio Bolsonaro, a busca por nichos de votos se torna fundamental. Nesta reta final da campanha, os dois lados enfrentam a difícil tarefa de manter a base animada, garantir o máximo de apoio possível no chamado “eleitorado independente” e, ao mesmo tempo, avançar sobre o voto do outro. Quem se der melhor nessa busca largará mais competitivo para um eventual segundo turno.
Flávio insiste no voto útil da direita, inclusive pressionando por desistências de candidaturas, principalmente a de Romeu Zema, do Novo, que não tem registrado mais do que 1% das intenções de voto. Zema resiste, mas reforça que estará com o candidato do PL na segunda rodada, se houver.
O filho do ex-presidente quer também os votos do influenciador Pablo Marçal (PRTB), que chegou a registrar candidatura ao Palácio do Planalto, mas foi barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nos bastidores de Brasília, a campanha do PL sugere que Marçal pode, inclusive, virar ministro em eventual governo Flávio.
Enquanto isso, a campanha de Lula vê chances de virar votos, especialmente, em três grupos: católicos, nordestinos e entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos.
Na avaliação de aliados do presidente, a polêmica envolvendo a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e o fato de Flávio ter criticado a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) são pontos a serem amplamente explorados até domingo, na intenção de consolidar uma margem mais expressiva entre os católicos.
Já no Nordeste, Lula tentou demonstrar força com agendas intensas na Bahia e no Ceará nesta terça-feira, 29. Pesquisas da semana passada indicaram uma leve queda nas intenções de voto no petista na região.
Em relação ao segmento com renda mais baixa, a campanha ainda tentará reacender nos próximos dias, sobretudo no debate nas redes, o que considera vantagens em relação a Flávio. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, sancionada em novembro de 2025, não surtiu o efeito esperado pelo entorno de Lula. Petistas avaliam que o impacto da medida acabou sendo minimizado pelo alto índice de informalidade nessa faixa de renda: cerca de 80% dos trabalhadores desse segmento estariam na informalidade.
De todo modo, na classe mais baixa, Lula derrota Flávio, segundo praticamente todas as pesquisas. O desafio está justamente na informalidade alta, que, ainda no entender da campanha petista, representa um obstáculo para novas apostas guardadas para um possível segundo turno, como a aprovação definitiva no Congresso do fim da escala 6×1.

