Apesar da proximidade com o primeiro turno das eleições, do alerta emitido recentemente pela Abin (Agência Brasileira de Informação) sobre o risco de interferência estrangeira no processo e da preocupação já manifestada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, o governo evita tratar o fechamento temporário da embaixada e dos consulados americanos no Brasil como um movimento político da administração Trump. O Palácio do Planalto e o Itamaraty monitoram o assunto, por ora, como uma questão de segurança destinada a garantir a proteção de integrantes do corpo diplomático.

A cautela do governo tem como objetivo tentar não alimentar polêmicas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas da votação. Mesmo adotando essa postura no discurso, o clima de desconfiança prevalece. “Se cabe investigação, o problema é policial. Eles [os Estados Unidos] é que precisam explicar”, disse, sob reserva, uma fonte da diplomacia brasileira.

Ainda na noite desta quinta-feira, 1º, os funcionários da embaixada receberam a informação de que deveriam trabalhar de casa no dia seguinte por motivos de segurança que não foram especificados. Pelas mesmas razões, o governo americano anunciou a suspensão temporária dos serviços consulares no Brasil.

Os acessos à área da embaixada, em Brasília, foram limitados e as instalações, que neste momento passam por reformas, estão sob proteção da Polícia Militar do Distrito Federal e de agentes de segurança da própria representação diplomática americana. A embaixada da Austrália, que fica bem perto (e a menos de 1 quilômetro do TSE) acompanhou a dos Estados Unidos e também anunciou seu fechamento nesta sexta. O Planalto recomendou cuidado para afastar conjecturas de cunho eleitoral, apesar dos precedentes de tensão envolvendo os governos de Lula e de Donald Trump.

Na tarde desta sexta-feira, 2, a Polícia Federal divulgou uma nota oficial informando que foram deflagradas ações de busca e apreensão no entorno do Distrito Federal e em São Paulo para apurar um “suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil”. A nota diz que não foram verificados elementos que corroborassem os riscos apontados nem identificados “quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”. O texto diz ainda que as investigações prosseguem, inclusive com a análise de equipamentos de comunicação e arquivos de mídia apreendidos.