Roupa suja sendo lavada ao vivo, acidentalmente, nas redes do PT. O episódio ocorrido nesta quarta-feira, 7, expôs a indignação e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, com sua própria campanha. O petista chegou a dizer que esta é a campanha menos organizada de toda a sua trajetória política. As queixas de Lula, feitas em uma reunião com aliados e ao lado do presidente do partido, Edinho Silva, deveriam ficar entre quatro paredes, mas, ironicamente, por outra falha dos assessores, acabaram transmitidas em tempo real. O conteúdo foi retirado do ar pouco depois, mas escancarou ainda mais as insatisfações internas após a derrota de Lula para Flávio Bolsonaro no primeiro turno da corrida presidencial. Agora, o comando petista corre para tentar corrigir os erros.

“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, reclamou o presidente-candidato, sem saber que estava ao vivo. Ele se queixou ainda da ineficiência da comunicação, endossando as críticas feitas nos bastidores por petistas e integrantes do governo à condução do ministro Sidônio Palmeira (Secom). Segundo Lula, a campanha passou sem ele “dizer a que veio” e com dificuldades para responder temas difíceis: “Uma das expectativas do povo era que o Lula 3 repetisse o Lula 2. Todo mundo comprou um carrinho, um televisor, mas é importante lembrar que depois que eu deixei a presidência em 2010, nunca mais o Brasil cresceu acima de 3%”.

Lula aproveitou para fazer também um mea culpa: reconheceu sua dificuldade em fazer vídeos a partir do celular e se comunicar mais diretamente pelas redes, de um jeito moderno que seus adversários dominam. “Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas”, disse. “Gosto de falar só o essencial. Mas o pessoal me enche o saco. Faz uma selfie. Eu não gosto. Hoje, eu resolvi fazer”, anunciou. A lavagem de roupa suja na reunião ecoou problemas que petistas e aliados já vinham apontando antes do primeiro turno, quando foram apontadas também outras falhas de ordem prática, como a falta de materiais de divulgação. Em setembro, Lula visitou o norte de Minas Gerais e, ao chegar em Montes Claros, encontrou sua militância sem bandeiras e panfletos, por exemplo.

Agora, a campanha petista tenta corrigir os erros correndo contra o tempo, faltando menos de três semanas para o segundo turno. Aliados mais afeitos às redes sociais estão sendo incentivados a produzir conteúdos pedindo votos para Lula que tenham potencial de gerar engajamento. Também nesta quarta, rodeado de jovens eleitos, o presidente-candidato lançou um novo lema, “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”. “É esse o nosso lema daqui para frente”, disse o próprio Lula, que aposta na redução da jornada de trabalho, por exemplo, para fazer frente a Flávio Bolsonaro. O “lema”, porém, também não agradou a uma parte dos petistas. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro reclamou publicamente: “Se é verdadeiro este lema, quem o bolou não tinha dormido bem, de domingo para segunda, como todos nós: pensar que trabalhador e bandido moram na mesma galáxia da narrativa eleitoral, é não entender muito bem o que aconteceu com o nosso país nas ultimas décadas”. Foi uma crítica claramente dirigida a Sidônio Palmeira. Ou seja: mesmo no dia escolhido para fazer a correção de rumos as fricções e as queixas continuaram.