O futuro chegou. Nosso trabalho é fazer com que ele chegue a todos
“O futuro já chegou, só não está distribuído por igual”. Essa frase do escritor norte-americano William Gibson traduz um dos maiores desafios que estamos encarando no setor de comunicações: fazer com que a transformação tecnológica alcance a todos.
Quando falamos em conectividade, é comum pensarmos em números. Mas, para mim, cada número representa algo muito mais concreto. Representa uma criança que consegue acessar uma aula, uma equipe de saúde que pode utilizar um serviço de telemedicina, um produtor rural que passa a ter internet para melhorar seu negócio ou uma família que consegue acessar um serviço público sem precisar viajar horas.
Os resultados mostram que estamos avançando. Em 2025, mais de 90% da população de 10 anos ou mais utilizou a internet, segundo o IBGE. O crescimento tem sido mais acelerado nas áreas rurais, reduzindo a diferença histórica em relação às áreas urbanas.
A educação também está entre nossas prioridades. Já ultrapassamos 109 mil escolas públicas conectadas à internet para uso pedagógico. São professores e alunos com acesso à internet para ampliar as possibilidades em sala de aula.
No Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID), estamos prevendo ampliar a conectividade de unidades básicas de saúde (UBSs), comunidades ribeirinhas, colônias de pescadores, assentamentos rurais e outros territórios e equipamentos públicos. Desta forma, vamos abrir caminho para serviços públicos, educação, informação e novas oportunidades de trabalho e renda.
Sabemos que o Brasil é continental e que as desigualdades de acesso historicamente acompanharam essa dimensão territorial. Por isso, levar conectividade para áreas rurais e remotas é uma das tarefas mais importantes da nossa agenda.
Nos últimos três anos, mais de 2,9 mil localidades rurais receberam antenas 4G, beneficiando diretamente mais de 2 milhões de brasileiros no campo. O 5G também avançou e já está presente em mais de 2 mil municípios, alcançando cerca de 80% da população.
Na Amazônia, os desafios são ainda maiores. O Norte Conectado está levando mais de 13 mil quilômetros de cabos de fibra óptica pelos rios, criando verdadeiras estradas digitais e conectando municípios e pontos públicos.
Construir essa infraestrutura exige investimento. Um dos passos mais importantes foi recuperar o papel do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, o Fust. Mais de R$ 3,2 bilhões em investimentos foram aprovados e contratados para projetos de conectividade. Esse recurso chega onde é mais necessário, principalmente nas regiões em que o investimento privado, sozinho, não consegue fechar a conta.
Ao mesmo tempo, o setor de telecomunicações demonstra confiança no potencial de crescimento da infraestrutura digital brasileira. No primeiro semestre de 2026, os investimentos estrangeiros diretos em telecomunicações chegaram a aproximadamente R$ 18,38 bilhões, segundo dados do Banco Central.
E, à medida que a economia digital cresce, surge uma nova pergunta: onde vamos processar e armazenar todos esses dados? Esse movimento ajuda a explicar por que o Brasil precisa tratar a infraestrutura digital como uma agenda de atração de investimentos.
A expansão das redes, dos cabos submarinos e dos data centers cria condições para que empresas de tecnologia instalem e ampliem operações no país, fortalecendo cadeias de inovação. A inteligência artificial, a computação em nuvem e os serviços digitais aumentam rapidamente a demanda por processamento e armazenamento de dados.
Por isso, estamos trabalhando na construção das Políticas Nacionais de Data Centers e de Cabos Submarinos, ao mesmo tempo em que o Redata, sancionado recentemente, cria condições para estimular novos investimentos em data centers.
Essa visão de futuro também vale para uma tecnologia presente na casa de milhões de brasileiros: a televisão. A TV 3.0 representa uma transformação importante da radiodifusão brasileira, combinando maior qualidade de imagem e som com interatividade e integração com a internet.
No fim, todas essas políticas fazem parte de uma mesma agenda: transformar conectividade em oportunidade. Uma infovia leva anos para ser construída. As políticas de data centers e cabos submarinos precisam ser consolidadas. A conexão das escolas e unidades de saúde precisa avançar. E o Fust deve continuar cumprindo seu papel de reduzir os vazios de conectividade.
Tudo isso tem um objetivo comum: fazer com que a infraestrutura digital se transforme em oportunidade para as pessoas. É nesses momentos que os números ganham significado.
O Brasil já deu passos importantes para construir sua infraestrutura digital. Agora, precisamos garantir que essa agenda tenha continuidade, escala e visão de longo prazo. Porque o futuro não é uma promessa distante. Ele já está acontecendo. Nosso trabalho é fazer com que ele chegue a todos.
Frederico de Siqueira Filho é ministro das Comunicações
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