Petistas críticos à condução da campanha à reeleição já identificaram o principal risco na tentativa de virar o jogo contra Flávio Bolsonaro no segundo turno: a confiança de que, na hora decisiva, Lula resolverá tudo.
“Esperam que Lula resolva tudo”, é o que se diz nos bastidores.
Para o ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean-Paul Prates, a confiança absoluta no poder pessoal de Lula ajuda a adiar mudanças necessárias.
Há consenso de que é possível vencer a eleição, apesar da desvantagem no primeiro turno. Para isso, no entanto, seria necessário parar de procurar culpados e recorrer à franqueza.
“É mais confortável discutir quem errou na comunicação do que enfrentar como se tomaram as decisões, quem deixou de ser ouvido e por que o governo foi perdendo conexão com gente que sempre esteve próxima”, disse.
Ele acrescentou que o desgaste parece mais profundo do que o de uma “campanha mal organizada”.
“Há uma sensação de círculo fechado, de pouca escuta e de repetição de personagens e argumentos. Uma parte do eleitorado está irritada e quer ser ouvida, e não receber uma explicação de por que deveria estar satisfeita.”
A campanha do PT se anima quando aposta na capacidade de reação de Lula, mas sempre surgem ponderações.
“Precisa abrir espaço de verdade, dividir protagonismo e mostrar um time com propostas para o próximo mandato. Trocar algumas pessoas de lugar e aumentar a presença nas redes pode ajudar, mas será insuficiente se continuar tudo dependendo de Lula e passando pelos mesmos filtros”, acrescentou Prates.

