Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, chegam às urnas neste domingo, 25, tendo percorrido itinerários distintos, mas com objetivos bem parecidos neste segundo turno da eleição presidencial. Tentando manter a dianteira, Flávio, mais votado em 15 das 27 unidades da federação, buscou preservar sua base no Sudeste e visitou o Norte e o Nordeste para tentar “virar votos”. Em desvantagem, Lula concentrou esforços para melhorar o desempenho nos três maiores colégios eleitorais (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), consolidar os votos no eleitorado nordestino e avançar sobre redutos historicamente bolsonaristas.

A estratégia de Flávio também incluiu passagens pelos estados do país que reúnem mais eleitores, além de Espírito Santo, Bahia, Ceará, Pará, Amazonas, Goiás, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Nas últimas três semanas, o senador participou de agendas públicas e atos organizados por aliados, como os “bloquinhos” de Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE). Entre os estados percorridos, Minas ganhou destaque na reta final do esforço do candidato do PL. O estado, tradicionalmente pêndulo nas disputas presidenciais, carrega um histórico simbólico: desde 1989, o presidenciável mais votado pelos eleitores mineiros venceu a eleição. No primeiro turno, Flávio recebeu 48,2% dos votos válidos no estado, ante 43,3% de Lula. A diferença de cerca de 590 mil votos levou o filho de Jair Bolsonaro a reforçar as agendas na região, incluindo a cidade de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, região tradicionalmente petista, no roteiro. Ele também programou para Minas a derradeira atividade de sua maratona eleitoral, com um ato em Belo Horizonte neste sábado, 24.

Já a campanha petista levou Lula de volta ao Nordeste e concentrou esforços no Sudeste, região em que Flávio liderou no primeiro turno. O itinerário também priorizou os três maiores colégios eleitorais e incluiu agendas em quatro estados nordestinos: Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. A exemplo do adversário, Lula colocou Minas Gerais na rota do segundo turno, com compromissos em Juiz de Fora — uma das poucas grandes cidades mineiras em que ficou na frente no dia 4 — e Belo Horizonte, onde acabou derrotado pelo candidato do PL. Na capital mineira, assim como em outras cidades visitadas pelo petista nesta reta final, o objetivo era atrair os eleitores que se abstiveram no primeiro turno. A estratégia era conquistar parte dos 21,08% do eleitorado que não compareceram às urnas. Para isso, a campanha organizou atos em capitais que registraram índices de abstenção acima da média nacional, como Rio e Porto Alegre, líder e vice-líder, respectivamente, em ausências na primeira volta das eleições.

Com as pesquisas da última semana indicando empate técnico, a disputa presidencial deve ser decidida voto a voto. As urnas abrem às 8 horas e fecham às 17 horas (horário de Brasília) deste domingo. A previsão, como de hábito, é que o vencedor seja conhecido ainda durante a noite, horas após o encerramento da votação.