Com 60 unidades em operação e 127 contratos de novos endereços assinados, o grupo de academias Ultra quer ganhar musculatura este ano para incomodar rivais no setor. Dona das redes Ultra, Spider Kick e The Flame, a empresa almeja inaugurar mais 30 operações este ano e tem olhado para aquisições de companhias menores. Foi o caso, por exemplo, da Euro Fitness, de Uberlândia (MG), comprada recentemente.
Fundada em 2021, a Ultra aposta em uma tendência de maior conscientização em relação a atividades físicas. Hoje, é comum ver grupos de corrida voltados para jovens adultos ganharem força — e até virarem “pontos de encontro” para solteiros.
Fernando Nero, que comanda a Ultra, tem experiência no setor: foi fundador de uma das principais redes no Brasil, a Bluefit, sociedade que deixou em 2020.
Segundo uma pesquisa recente do Serviço Social da Indústria, o Sesi, apenas 5% dos brasileiros praticam atividades físicas regulares — ao menos uma vez na semana. Nero vê nesses números uma oportunidade para o setor, em um universo de mais de 50 mil academias.
“Estamos vendo uma tendência forte de apreço estético e pela parte física no Brasil. Para quem começa a praticar corrida, essa pessoa vai precisar de uma academia para fortalecer a musculatura. Isso também vale para quem quer praticar arte marcial ou outro tipo de luta”, apontou Nero, CEO do grupo Ultra, em conversa com a coluna. “Então, a musculação acaba sendo um complemento de qualquer tipo de atividade e é recomendada como prevenção por convênios médicos.”
Para crescer mais rápido, a empresa aderiu ao modelo de franquias no último ano. Hoje, um terço das unidades são próprias e o restante é de sócios.
Ao todo, o empresário projeta um investimento de cerca de R$ 100 milhões em novas unidades em 2025 — cada operação demanda um aporte de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, com uma área média de 1.500 metros quadrados.
Nero disse ver o mercado longe da saturação no país e entender que a concorrência não tira alunos de sua academia:
“A concorrência em si é super válida porque ajuda a trazer novos praticantes. A nossa disputa é com o sofá, para trazer essa pessoa para a academia”.