A soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem pela polícia anti-imigração norte-americana animou políticos do campo da direita que defendem a tese de que o ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Informação), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, sofre perseguição no Brasil e que, por isso, precisa de asilo político. Nesta quinta-feira, 16, senadores aprovaram na Comissão de Relações Exteriores a ida de uma comitiva de parlamentares aos Estados Unidos com o objetivo de conversar com autoridades do governo de Donald Trump sobre a necessidade de asilo político. O requerimento da missão externa foi apresentado pelo senador senador Jorge Seif (PL-SC) e prevê paradas em Washington e Orlando, na Flórida.
Apesar da aprovação, a autorização da viagem precisar ser feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por envolver gastos a serem bancados pela casa legislativa. Se Alcolumbre autorizar, estará fazendo um gesto em favor da oposição e contrário ao governo e ao próprio STF, que condenou Ramagem a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista.
O senador Seif não indica a data da viagem, mas espera conversar com o presidente do Senado para que ela seja feita “o mais breve possível”, de acordo com fontes ligadas a ele. O requerimento aprovado também não informa quantas pessoas integrariam a missão. De acordo com a justificativa do requerimento, o objetivo principal é falar com o “secretário de imigração” de Trump, referindo-se a Markwayne Mullin, chefe do Departamento de Segurança Interna, que comanda o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas), órgão que prendeu Ramagem na última segunda-feira e o soltou dois dias depois.
O nome de Ramagem foi removido da lista do serviço de imigração americano e, de acordo com parlamentares aliados dele, essa exclusão indica que houve interferência do governo norte-americano nessa decisão. Na segunda-feira, a Polícia Federal chegou a anunciar que a prisão do ex-deputado era resultado de cooperação entre as autoridades policiais brasileiras e norte-americanas.