A maioria dos deputados estaduais do Rio de Janeiro elegeu, nesta sexta-feira, 17, Douglas Ruas (PL) para a presidência da Alerj (Assembleia Legislativa), em votação que ocorre durante uma das maiores crises institucionais do estado. Aos 37 anos e em primeiro mandato, Ruas assumiu o comando da casa como único candidato ao posto, com 44 votos favoráveis e uma abstenção. A sessão foi marcada pela ausência de parte da oposição.
A direita fluminense almejava a presidência da Alerj pelo fato de o cargo integrar a linha sucessória do governo do Rio de Janeiro, que está sem titular desde a renúncia de Cláudio Castro (PL). O plano perdeu força após o STF (Supremo Tribunal Federal) manter o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJRJ, como interino até o fim do julgamento. A Corte avalia como será o formato para a escolha do governador-tampão. Até agora, a maioria dos magistrados votou pela eleição indireta, conduzida pela Alerj, e com voto aberto. Ruas ainda avalia se ingressará com ação para o cumprimento da linha sucessória.
A nova eleição ocorre em decorrência da cassação de Rodrigo Bacellar, que foi preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Após a anulação da primeira vitória de Ruas, a sessão seguinte também foi marcada pelo risco de judicialização. Na véspera, o Tribunal de Justiça rejeitou uma tentativa do PDT de alterar o formato do pleito, e um novo recurso apresentado momentos antes da sessão não chegou a ser analisado pela Corte.
Com isso, parte da oposição, ligada ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), defendia o adiamento da eleição até definição do STF sobre a sucessão no Executivo fluminense. A articulação por uma candidatura alternativa perdeu força após um impasse entre partidos e divergências sobre o modelo de votação. Os deputados ligados a Paes optaram por não registrar presença, após desistir de lançar uma candidatura alternativa para o cargo.
Com passagem pela Secretaria de Cidades e pelo Instituto Estadual do Ambiente, Ruas assume a presidência da Alerj e fortalece a presença bolsonarista no Rio de Janeiro. Atualmente, ele também é aposta do PL para disputar o mandato-tampão e a principal cadeira do Palácio Guanabara nas eleições de outubro.