A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que reduziu a Selic para 14,25% ao ano, confirmou para uma parte do mercado a suspeita sobre como a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central conduzirá a política monetária nos próximos meses, diante da proximidade das eleições.
Para o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, a ata sugere que o Copom tolerará uma inflação significativamente acima da meta no horizonte relevante da política monetária e vê valor em adotar uma trajetória para a Selic que combine pausas e cortes, uma vez que isso resultaria em flutuações mais brandas do crescimento econômico e na convergência da inflação para a meta no primeiro trimestre de 2028.
Além disso, os diretores do BC sinalizaram na ata que trajetórias alternativas mais agressivas para a Selic — que levariam a uma inflação mais baixa no final de 2027, porém abaixo da meta no primeiro semestre de 2028 — poderiam provocar volatilidade excessiva nos preços de ativos financeiros e nos agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes para a convergência da inflação à meta.
“O Copom inclina-se mais a proteger a atividade econômica do que a adotar uma estratégia mais assertiva focada na inflação. Como uma mudança importante, o Copom agora caracteriza explicitamente o balanço de riscos como tendo viés de alta. Nesta fase, esperamos que o Copom interrompa o ciclo de normalização das taxas e retome os cortes, no mínimo, no quarto trimestre de 2026. Não esperamos mais um corte na reunião de agosto e elevamos a projeção da taxa terminal para o final de 2026 de 13,25% para 14,00%”, afirmou Ramos.