A confirmação de Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial fez o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se movimentar para tentar marcar território na defesa do agronegócio. Essa orientação ficou evidente nesta sexta-feira, 10, durante agenda no Mato Grosso do Sul. Ao lado da senadora Tereza Cristina, uma das principais lideranças do setor e cogitada para vice em sua chapa, o pré-candidato do PL abordou temas como segurança jurídica, demarcação de terras, crédito, infraestrutura e maior protagonismo agro na condução da política econômica.

“São pautas que o presidente Bolsonaro começou e que o atual governo destruiu, como se o o agro fosse um inimigo… O agro é gigante no mundo inteiro por causa da força deles próprios, porque o atual governo faz tudo para atrapalhar. Essas pautas são mais que legítimas e podem ter certeza que vou me empenhar ao máximo no governo para dar celeridade para resolver esses problemas”, afirmou.

A declaração foi dada durante a abertura de uma exposição agropecuária em Campo Grande. Neste mesmo evento, Flávio disse que Tereza Cristina era seu “sonho de consumo” ao ser indagado sobre a possibilidade de entrada da senadora em sua chapa. Em maio, ele deve voltar ao estado para outra exposição, em Dourados.

O fato de Caiado ter a trajetória política ligada à defesa dos interesses do agro torna o setor mais desafiador para Flávio. Nas duas últimas eleições, esse empresariado se alinhou majoritariamente a Jair Bolsonaro, mas Caiado não estava nas disputas. A candidatura do ex-governador de Goiás altera o cenário desenhado por aliados do pré-candidato do PL, que viam como natural a consolidação do apoio do agro, sobretudo em razão das resistências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mesmo atrás nas pesquisas, Caiado reúne credenciais reconhecidas no campo e capitaliza resultados de sua gestão, como avanços significativos na exportação de grãos por Goiás, que no ano passado registrou aumento de 23%.

Avaliação de cenário
Antes da entrada do pré-candidato do PSD, a estratégia do entorno de Flávio previa uma adesão gradual do agro, iniciada por manifestações da bancada ruralista e lideranças regionais e, com o tempo, avançar para entidades representativas.

A chegada de Caiado ao páreo, no entanto, interrompeu esse roteiro. Lideranças do setor passaram a evitar sinalizações públicas e a adotar uma postura de espera, mantendo interlocução com diferentes projetos enquanto avaliam o cenário. Com pelo menos dois candidatos de olho na mesma fatia do eleitorado, boa parte dos representantes do agro ainda analisa propostas e candidatos antes de amarrar os apoios nas eleições deste ano.