O delegado Pedro Cassundé, um dos titulares da investigação que prendeu o vereador Salvino Oliveira, do PSD do Rio de Janeiro, já recebeu homenagens de políticos do PL. Uma delas, inclusive, foi aprovada dois dias antes da prisão, em 11 de março.

Salvino foi secretário de Juventude de Eduardo Paes e é acusado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro de ser um braço do Comando Vermelho na prefeitura carioca. A prisão do vereador foi amplamente divulgada, com discurso político, por políticos do PL.

Dois vereadores do PL, Daniel Marques, de Niterói, e Alana Passos, do Rio de Janeiro, já pediram homenagens ao titular da investigação que prendeu Salvino.

Em 2022, Alana Passos, ainda deputada estadual, conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) uma moção de aplauso à equipe da Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE). Entre os homenageados, estava Cassundé.

Em fevereiro de 2026, Daniel Marques pediu a concessão da Medalha Arariboia para Cassundé. A honraria é a maior da Câmara dos Vereadores de Niterói. Dois dias antes da prisão, em 11 de março, a homenagem foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da casa.

Candidato ao governo contra Douglas Ruas, do PL, Eduardo Paes vem afirmando que a prisão de Salvino foi política. O presidente do PSD no Rio de Janeiro pediu o afastamento de Cláudio Castro por suposto abuso de autoridade e denunciação caluniosa do vereador.

A representação do PSD também aponta possíveis irregularidades do chefe da Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, e do delegado Pedro Cassundé.

À coluna, a Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que “vê com muitos bons olhos qualquer forma de homenagem a seus delegados e policiais” e que “repudia qualquer tentativa de atrelar seus profissionais a práticas antiéticas”.