A semana é decisiva para as negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos sobre o novo tarifaço às exportações brasileiras, previsto para entrar em vigor na próxima quarta-feira, 15. O governo brasileiro tem baixas expectativas de demover os Estados Unidos de aplicar a sobretaxa de 25%, por entender que as motivações apresentadas são de caráter puramente ideológico.
Na visão do presidente Lula, as sobretaxas representam uma clara tentativa de interferência nas eleições deste ano, em favor do seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ordem do petista é que o Brasil não saia da mesa de negociação até o último momento.
Pessoas próximas de Lula trabalham com dois cenários. O mais provável é a confirmação do segundo tarifaço. Nesse caso, a ideia é tentar ampliar ao máximo a lista de isenções, contemplando o maior número possível de setores para que as medidas interfiram com menor intensidade no comércio entre os dois países. O problema é que essa negociação ainda não começou.
Não houve por parte dos americanos sinais de quais produtos serão afetados. Negociadores brasileiros, até o momento, fazem o trabalho de refutar os argumentos apresentados pelo EUA, como críticas à gestão ambiental, ao Pix e à forma com que o Brasil trata o trabalho forçado.
Diante da visão de que o objetivo das medidas tem como motivação as eleições de outubro, um cenário de recuo dos Estados Unidos neste momento não é descartado. Flávio fez esse pedido aos americanos e, se o intuito é interferir, essa possibilidade também é considerada.
Até o momento, o governo trabalha com a ideia que é preciso afastar-se do caráter ideológico, embora isso seja considerado uma tarefa quase impossível diante das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos.