NOVA YORK — Antes da revelação do áudio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, vinha evitando críticas explicitas ou menções ao senador em seus discursos, palestras e pronunciamentos.
Essa postura ficou clara durante a participação de Zema no almoço promovido na última terça-feira, 12, por Brazil Journal, Metro Quadrado e PlatôBR como parte da Brazil Week, em Nova York. Indagado sobre a possibilidade de ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, Zema evitou responder.
O PlatôBR insistiu no assunto após Zema afirmar que não seria mais um político como os que já existem e estão apenas interessados na distribuição de cargos e favores para as próprias famílias e para aliados. Indagado se esse era o caso de Flávio Bolsonaro, ele respondeu:
“Eu vou deixar para você tirar a conclusão. Na minha família ninguém nunca tinha sido candidato político, nem pai, nem avô, nem tio. E eu acho que o Brasil precisa ter como presidente um pagador de impostos e não um recebedor de impostos. Eu nunca fui recebedor de impostos. Sempre paguei e o meu contato com o Estado, a vida inteira, foi atender fiscais da Receita Federal, estadual, municipal, Ministério do Trabalho, Banco Central etc. Minha vida toda foi esse trabalho”, disse, de novo evitando citar Flávio nominalmente (assista aqui à íntegra da entrevista).
No dia seguinte, após a revelação da conversa do senador com Vorcaro, Zema subiu o tom. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ele afirmou que se trata de “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou o ex-governador, atraindo a ira de bolsonaristas.