O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da direita à Presidência da República, tentou repetir na sessão do Congresso realizada nesta quinta-feira, 21, as mesmas cenas ocorridas na derrubada do veto presidencial à Lei da Dosimetria, ocorrida há menos de um mês. A fotografia, no entanto, foi bem diferente desta vez e traduziu a principal preocupação da campanha de Flávio hoje: a fuga de apoios ao projeto presidencial do filho de Jair Bolsonaro.
Na primeira sessão, Flávio foi a grande estrela, sendo carregado ao final pelos senadores e deputados da direita que lotaram o plenário. Nesta quinta, em reunião também para apreciar vetos de Lula, Flávio subiu à tribuna para discursar ladeado por cerca de uma dezena de parlamentares. “Eu não tenho nada a temer, nada a esconder. Estou desafiando aqui a esquerda brasileira. Vocês têm medo da CPMI”, disse o senador, referindo-se ao pedido de criação de uma CPI Mista no Congresso para investigar o Master.
O requerimento havia sido feito pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), aliado de Flávio, e foi enterrado pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “As matérias serão objeto de leitura a juízo do presidente”, disse Alcolumbre, recusando-se a criar a CPI.
Pedido de expicação
Após o discurso de Flávio, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), subiu à tribuna para falar pela liderança da Maioria e impôs a Flávio outro constrangimento. O pré-candidato do PL se preparava para deixar o plenário sem ouvir o petista, mas teve que retornar ao ser citado: “Está saindo senador Flávio. Eu queria que vossa excelência explicasse aqui no plenário”, chamou. Flávio retornou, se posicionou na frente dos microfones, e passou a ouvir o deputado do PT enquanto meia dúzia de parlamentares tentaram entoar o grito: “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
Com o desânimo dos aliados, a manifestação dos bolsonaristas não prosperou e Lindbergh passou a expor, olhando para o senador, sequência de reações reações desencontradas dele após a divulgação dos áudios nos quais ele aparece pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, acusado de fraude financeira e outros crimes.