Sob o comando de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o Senado aprovou nesta semana um pacote de propostas que provocam um rombo calculado em mais de R$ 300 bilhões nas contas públicas. O projeto de lei que renegocia dívidas rurais, por exemplo, representa um impacto de até R$ 170 bilhões.

Outra proposta da “pauta-bomba”, a PEC que cria a aposentadoria diferenciada aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias, tem um custo fiscal de R$ 99 bilhões e foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Essas decisões foram tomadas mesmo depois de um pedido feito pelo ministro Dario Durigan (Fazenda) a Alcolumbre para que os textos não fossem votados. Pelas redes sociais, o ministro do STF Gilmar Mendes alertou para a inconstitucionalidade das propostas que geram despesas sem apontar a fonte das receitas.

A reportagem da Veja
Uma reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira, 12, diz que Vorcaro teria afirmado em sua proposta de delação premiada que repassou US$ 30 milhões a Davi Alcolumbre em uma conta no exterior. O dinheiro seria um pagamento por demandas do banco Master no Senado. Alcolumbre nega a acusação e diz que vai processar os responsáveis.

Mesmo ainda não comprovada, a denúncia enfraquece Alcolumbre no momento em que enfrenta o governo com a aprovação da “pauta-bomba”. A suspeita de que atuou em favor do banqueiro, por exemplo, ao segurar a instalação da CPI do Master, deixa o presidente do Senado fragilizado.

No jogo do poder, Alcolumbre deixou de ocupar um espaço importante quando não conseguiu emplacar o aliado Rodrigo Pacheco no STF. Desde então, ele atua fortemente contra o governo no Senado, com destaque para a rejeição de Jorge Messias para a vaga no Supremo e, agora, com a aprovação da “pauta-bomba”.

Nos bastidores de Brasília, uma das interpretações correntes é que Alcolumbre, ao pressionar o Planalto, estaria buscando proteção política contra as denúncias relacionadas ao Master.

Flávio Bolsonaro cai na Quaest
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira, 10, confirmou os prejuízos provocados na campanha de Flávio Bolsonaro pela revelação do áudio enviado a Daniel Vorcaro. Um mês depois que o pedido de dinheiro ao banqueiro foi tornado público, o candidato do PL ao Planalto perdeu três pontos no levantamento para o segundo turno, enquanto Lula ganhou dois.

Antes empatado tecnicamente com o petista, o filho de Jair Bolsonaro aparece agora seis pontos percentuais abaixo, sinal de que hoje ele perderia a eleição para o petista.

Entre outros recados para a campanha da oposição, a pesquisa mostra que Flávio perdeu apoio sobretudo entre os eleitores independentes. Para 65% maioria dos entrevistados, ele errou ao pedir dinheiro ao banqueiro enrolado. 

Pelo lado de Lula, a maior preocupação é com a desaprovação de 48% do governo, ainda maior do que os 47% que aprovam.

TSE suspende julgamento sobre pesquisa
O Tribunal Superior Eleitoral interrompeu na terça-feira, 9, o julgamento da decisão do presidente da corte, ministro Nunes Marques, que suspendeu a divulgação da pesquisa Atlas/Intel Bloomberg que apontou uma queda abrupta de Flávio Bolsonaro. A interrupção da sessão foi provocada por um pedido da ministra Estela Aranha.

A tendência é que o tribunal aproveite esse julgamento para fixar alguns critérios para a realização de pesquisas.