Há meses se arrasta a discussão sobre a composição da chapa do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas, para sua reeleição. Enquanto não apareciam adversários, o clima era de tranquilidade, já que os quadros da oposição eram formados por figuras conhecidas que já vinham perdendo (cada vez por menos, é verdade) para os governistas desde Cid no governo. Em novembro do ano passado, parecia realmente que o PT não teria dificuldades em reeleger Elmano. Esse salto alto fez com que as promessas de vaga na chapa fossem feitas a meia dúzia de nomes: todo dia aparecia alguém se dizendo o escolhido como um dos candidatos ao Senado ao lado de Elmano.

A reeleição seria um céu de brigadeiro, e corria o boato de que os candidatos ao Senado teriam que financiar suas próprias eleições, e mais as de alguns federais e muitos estaduais. Ser escolhido era a certeza de vitória, portanto, assine o cheque, diziam. Esse cenário chancelava o multimilionário Eunício Oliveira como ocupante certo de uma das vaga ao Senado.

O que ninguém imaginava é que uma nuvem carregada viria escurecer a rota até o Palácio da Abolição. Mas ela veio, e se chama Ciro Gomes. Mesmo assim, a situação da situação seguia tranquila, e continuavam dando de ombros. Acontece que toda a oposição cearense, incluindo os eleitores, enxergaram em Ciro a única alternativa viável para tirar o PT do comando do estado. Vale lembrar que o Ceará não tem tradição de ser governado pelo PT, e sim pelo PSDB – conto essa história em outro artigo publicado aqui mesmo. E a força dessa união apareceu logo nas primeiras pesquisas, quando nem o próprio Ciro assumia a predisposição em disputar o governo.

Preciso ser justo: nem toda a oposição se encantou com a possibilidade de varrer o PT do estado com a vassoura do Ciro. O senador Eduardo Girão segue refratário a essa união e vez por outra recebe o apoio da ex- primeira-dama Michele Bolsonaro. Ele mantém seu nome como pré-candidato.

Mas mesmo a política sendo capaz de operar milagres, às vezes ela precisa se render à realidade imposta pela vontade popular e às pesquisas eleitorais sérias. E elas mostram que o cenário para o PT está tão difícil quanto comprar passagem aérea barata em julho. Alguns nomes entenderam a gravidade de uma eventual derrota e começaram a agir por conta própria: Cid Gomes não quer perder seus prefeitos, e cravou o pé no nome de Júnior Mano como candidato ao Senado como condição para apoiar Elmano. Ele sabe que, pro senado, as chances são grandes. Já Luiziane tratou de mudar de partido (deixou o PT e foi pra Rede), para não perder a chance de virar senadora com seu próprio recall eleitoral, e Lula correu pra tirar José Guimarães do páreo, arrumando um cargo em Brasília pra uma das vagas e poder atrair, além de apoio, votos. É isso mesmo. O governador precisa de votos, e muitos, senão corre o risco de perder no primeiro turno.

Com isso, ninguém mais fala em utilizar a vaga ao Senado como financiamento informal para baratear a campanha no estado e direcionar os recursos do fundo partidário para a disputa federal. Assim, cai o primeiro nome da infindável lista de prometidos: Eunício Oliveira. Ouve-se até que o seu MDB pensa em se unir ao PSDB de Ciro para lançá-lo ao Senado de forma “semi-apoiada” por Ciro. São boatos… ainda teremos que esperar a chamada final para sabermos quem conseguirá embarcar na chapa governista como candidato ao Senado. Nela, Eunício já perdeu seu assento.