No jantar oferecido na Granja do Torto por Lula ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base aliada, falou-se de quase tudo na política, mas um assunto não esteve em pauta: o aumento dos salários dos servidores do Legislativo aprovado na véspera pela Câmara e pelo Senado, em votação célere e pouco transparente.

O tema geraria constrangimento, pois aliados de Motta dizem que o governo, por meio de seus líderes, estava ciente e avalizou a votação. Membros do PT e do governo dizem que não sabem sobre a existência do acordo firmado para a aprovação da proposta e apostam que Lula vetará parcialmente a proposta para evitar que funcionários ganhem mais que o teto constitucional.

No jantar, Lula buscou criar um ambiente confortável para Motta e demonstrou ter entendido as dificuldades enfrentadas por ele na condução da Câmara em 2025. O petista disse que era preciso lembrar os atos radicais do 8 de Janeiro para analisar o contexto da ocupação da mesa diretora pela oposição que exigia, na época, a anistia para o condenados pela tentativa de golpe, inclusive Jair Bolsonaro. O presidente disse que, em momentos críticos como esse, Motta poderia contar com ele.

O petista agradeceu a Motta e aos líderes pelo apoio às pautas de interesse do governo e pediu ao presidente da Câmara que dê prioridade à proposta que acaba com a jornada de seis dias de trabalho e um de descanso. Lula pediu o empenho para que a Câmara chegue em uma proposta que estabeleça, no máximo, uma jornada 5 por 2. Esse projeto é uma das principais apostas do Planalto para entregar à população neste ano de eleições.

Motta, em retribuição, também fez um discurso de agradecimento e informou, em tom de promessa, que pretende colocar o projeto sobre jornada de trabalho em discussão na última semana de fevereiro. Antes de encaminhar o texto, o presidente da Câmara ficou de se reunir com Lula e com a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para avaliar as condições políticas para a votação.