Lula na frente, seguido por um Bolsonaro nas pesquisas para o primeiro turno. A quatro meses da votação, essa imagem retrata tanto as eleições presidenciais deste ano quanto a disputa de 2022, embora o adversário do petista tenha mudado: antes, era Jair Bolsonaro e, agora, é seu filho Flávio.

Mesmo com o ex-presidente em prisão domiciliar, as posições dos pré-candidatos do PT e do PL se repetem nas preferências dos brasileiros, fenômeno que reflete a polarização política dominante no país nesta década. Herdeiro dos votos do pai, Flávio se mantém como um dos concorrentes mais competitivos contra Lula, embora tenha perdido pontos nas últimas semanas.

Apesar das semelhanças, a atual corrida presidencial apresenta uma série de diferenças significativas em relação a 2022 para os pré-candidatos. A principal é que, há quatro anos, Lula estava na oposição e, agora, disputa cargo no Palácio do Planalto, com a caneta na mão para tomar medidas de impacto nas urnas.

Distância menor
Essa vantagem, porém, não aparece nos números das pesquisas. De acordo com o Datafolha, no final de maio de 2022 Lula vencia Jair Bolsonaro por 48% a 27%, uma distância de 21 pontos percentuais. Na última pesquisa do mesmo instituto, divulgada no dia 22 de maio, o atual presidente alcança 40%, nove pontos percentuais acima dos 31% obtidos por Flávio.

Entre os outros candidatos de quatro anos atrás, o mais bem posicionado pelo Datafolha era Ciro Gomes (PDT), que tentava sair da faixa de um dígito. Nesse aspecto, a situação agora é semelhante, mas ainda pior para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que patinam em torno de 5%.

Pandemia e Master
Jair Bolsonaro deixou de ser favorito para mais um mandato ainda em 2021, durante a pandemia de Covid-19, pelo desgaste que sofreu pelo comportamento negacionista, pelo número de mortes e pelas denúncias relacionadas à compra de vacinas. Flávio também sofreu reveses que abalaram sua campanha. Primeiro, a revelação do pedido de dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes da divulgação desse fato, o pré-candidato do PL estava tecnicamente à frente de Lula na maioria das pesquisas. Com o vazamento do áudio, ele caiu para o segundo lugar e se distanciou do petista. Nas últimas semanas, Flávio ainda amargou mais uma onda de críticas, por causa do novo tarifaço aplicado ao Brasil pelos Estados Unidos, depois da visita que ele fez a Donald Trump.

Segundo turno
Os percalços dificultam a campanha de Flávio, mas ele insiste na candidatura. Uma pesquisa divulgada pelo instituto Vox Brasil na sexta-feira, 5, mostrou que em um eventual segundo turno ele perde para Lula por uma diferença se 6 pontos percentuais, enquanto Caiado e Zema têm um desempenho ligeiramente melhor, empatados com o petista no limite da margem de erro.

Do ponto de vista de Flávio, o importante agora é tentar chegar ao segundo turno com Lula. Se conseguir, para conquistar o Planalto ainda terá de fazer melhor do que o pai, que cresceu na reta final e quase ultrapassou o petista, mas acabou derrotado na disputa pela reeleição.