Apesar de mais uma rodada de conversas do advogado-geral da União, Jorge Messias, com lideranças evangélicas do país, a bancada conservadora do Senado ainda resiste ao seu nome para o STF (Supremo Tribunal Federal). A intenção do escolhido por Lula para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso é suavizar a resistência que encontrou entre parlamentares da oposição ao Planalto.
Nos últimos dias, Messias recebeu em seu gabinete dirigentes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o bispo Paulo Sérgio, da Igreja Fonte da Vida em Brasília (foto em destaque), além de André Baia, da Igreja Presbiteriana do Jóquei. No ano passado, ganhou o apoio de representantes da Assembleia de Deus Madureira. Nessa “romaria”, o ministro da CGU relembra a trajetória profissional e também abre caminho para uma interlocução constante com líderes religiosos.
Na contramão dos opositores, a senadora governista Eliziane Gama (PSD-MA) minimiza a resistência à indicação do Planalto. Evangélica e entusiasta do perfil de Messias para o STF, a congressista elogia a diplomacia do postulante durante a caminhada para reduzir a rejeição dentro da direita. “A percepção nossa é de que a relação do ministro Jorge Messias com os colegas senadores está em uma de suas melhores fases”, afirma.
A sabatina de Messias ainda não tem data marcada, pois depende do entendimento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT), declarou que Alcolumbre estaria com o “coração amolecido” em relação ao assunto, depois de ter terminado o ano insatisfeito com o fato de Lula não ter escolhido seu candidato para o STF, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Mesmo que o ambiente entre o Planalto e o Senado tenha melhorado, integrantes oposicionistas da bancada da Bíblia ainda não se dispuseram a cravar o voto favorável a Messias. A proximidade do indicado com Lula é o principal motivo para a rejeição. O chefe da AGU precisa de pelo menos 41 votos para garantir a cadeira no Supremo.
