Pré-candidato ao Planalto pelo Missão, partido que nasceu do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos tem recorrido a um expediente já conhecido no ecossistema digital: a provocação como ferramenta de projeção. Em um cenário já ocupado por lideranças com musculatura partidária e tempo de exposição garantido, Santos aposta no confronto direto e elegeu como alvo preferencial o senador Flávio Bolsonaro (PL), potencial adversário na corrida presidencial.

Os objetivos de Santos, que completa 42 anos neste mês, ficaram evidentes durante a participação dele em um podcast, quando afirmou desejar a “morte” do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diante da repercussão negativa, a declaração foi posteriormente reclassificada como “morte política”, sob a alegação de que o trecho havia sido retirado de contexto. O ajuste semântico não conteve o efeito prático: o episódio viralizou, gerou debate nas redes e colocou o nome do pré-candidato em uma vitrine que, até então, ele não havia conseguido.

A estratégia do possível representante do MBL na corrida presidencial responde a uma limitação concreta. À frente de um partido estreante, ainda sem bancada formal no Congresso e com escasso tempo no horário eleitoral gratuito, o pré-candidato esbarra nas amarras impostas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às chamadas legendas nanicas. Nesse tabuleiro, a polêmica funciona como atalho. Ao tensionar a disputa com personagens de alta visibilidade, o dirigente amplia o alcance de seus conteúdos e extrapola a bolha formada por apoiadores da pauta que impulsionou o MBL, e de figuras associadas àquele período, ainda que à custa de ações que afrontam a boa convivência política.

Não é a primeira vez que o nome de Renan Santos surge associado a episódios polêmicos. Recentemente, ele defendeu que o Brasil desenvolva uma arma nuclear como estratégia para garantir a soberania. Também propôs a reincorporação de Tocantins a Goiás por entender que o estado seria “economicamente inviável” – a separação, disse, foi um “erro histórico”.

Antes ainda, em 2022, Renan Santos acompanhou o então deputado estadual por São Paulo Arthur do Val (ex-Podemos), conhecido como “Mamãe Falei”, em uma viagem à Ucrânia. Áudios do parlamentar, com comentários de cunho sexista sobre mulheres refugiadas da guerra, provocaram reação imediata no Brasil e fizeram do Val perder o mandato na Assembleia Legislativa. À época, o caso gerou intensa mobilização nas redes e ampliou, ainda que de forma negativa, a exposição do grupo político ao qual Santos estava vinculado.

Agora, reposicionado como presidenciável, Renan dobra a aposta na lógica algorítmica das plataformas digitais, terreno fértil para quem depende da notoriedade instantânea. Os ataques não se restringem ao bolsonarismo. Além de classificar parcelas da direita como anacrônicas, o dirigente do MBL também direciona críticas a adversários do campo oposto, como o presidente Lula e lideranças do PT. O cálculo é simples: o confronto pode gerar engajamento, mesmo que a curto prazo.

A dúvida é se esse modelo será capaz de construir uma caminhada eleitoral dentro dos padrões democráticos – ou se ultrapassará a linha da legalidade definida pela Justiça Eleitoral.