Ainda sem sinalizar o envio da PEC que acaba com a jornada 6×1, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), começou a defender o conteúdo do texto aprovado pela Câmara. Ele também passou a apoiar a ideia de que a mudança entre em vigor tão logo seja aprovada pelo Congresso, ou seja, sem a necessidade do prazo de 60 dias previsto na proposta. Com isso, Alcolumbre tenta desviar da campanha “Senado inimigo do povo” que mobilizou perfis alinhados ao governo nas redes sociais.

Entre os governistas, o entendimento é que será mantido o encaminhamento divulgado por Alcolumbre na semana passada, com votação apenas depois das eleições de outubro. Se for esse o ritual, o presidente Lula deve adaptar o discurso e responsabilizar o Senado pela não aprovação do texto. A intenção do petista era usar a sanção dessa PEC como bandeira em sua campanha pela reeleição.

Na reunião com representantes das centrais sindicais, nesta quarta-feira, 1º, Alcolumbre buscou justificar a demora em colocar o projeto em votação, dizendo que está discutindo com técnicos do Senado a possibilidade de uma emenda de redação para que a redução de 44 para 40 horas, com dois dias de folga e sem redução de salários, passe a valer imediatamente após a promulgação do texto. “Se for isso, o governo está de acordo. Mas falta pautar”, reclamou um membro da articulação do Planalto no Senado.

A posição dos empresários
Antes, Alcolumbre ouviu empresários e confederações de empregadores que pediram um tempo maior para que as empresas se adequem à medida. “Ele está tentando adiantar de um lado, para atrasar do outro”, avaliou um deputado governista, em conversa com o PlatôBR.

Na terça-feira, 30, o presidente do Senado reafirmou que vai seguir rito normal da PEC que cria uma aposentadoria especial para agentes de saúde e de combate às endemias que comprovem “atuação por 25 anos exclusivamente no efetivo exercício de suas funções”. Foi um recuo em relação à proposta considerada uma “pauta-bomba”, por provocar impacto de R$ 30 bilhões nas contas públicas.

O presidente do Senado, no entanto, reclamou do tratamento recebido de “autoridades da República”. “Não está normal as agressões e ofensas contra mim”, disse Alcolumbre durante a sessão. Entre os governistas que pressionam pela aprovação da PEC está o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência.