Aliados do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), enxergam uma “dobradinha” entre os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), para prejudicar o grupo político do emedebista nas eleições de outubro. Na decisão mais recente envolvendo o estado, Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário da gestão emedebista.
As buscas foram pedidas pela PF (Polícia Federal) com o aval da PGR (Procuradoria-Geral da República) e têm como pano de fundo a suspeita de que Cutrim seria uma das fontes do jornalista Luís Pablo, autor de reportagens críticas a Dino. Luís Pablo também foi alvo de buscas em março, após publicar reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro e seus familiares.
No entorno de Brandão, a avaliação é de que “Moraes tem tomado decisões em sintonia com os interesses do grupo político de Dino”, ex-governador do Maranhão e antigo aliado do emedebista. Como exemplo, integrantes do entorno do governador mencionam o afastamento do então procurador-geral do Estado, Valdenio Caminha, dois dias após ele pedir a suspeição de Dino em ações relacionadas ao governo estadual e denunciar supostos acessos irregulares de integrantes do gabinete do ministro ao sistema do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão).
Como o PlatôBR mostrou, o incômodo de Brandão com a influência de Dino na política maranhense não é novo. O governador tem criticado publicamente a atuação do ministro em processos no STF que envolvem políticos do estado. A ruptura entre os dois grupos está relacionada à sucessão estadual. Enquanto Brandão apoia o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), na disputa pela cadeira de governador, o grupo de Dino defende a candidatura de Felipe Camarão (PT).

