Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm externado preocupação com a consistência de sua pré-candidatura ao Planalto, apesar do significativo desempenho nas pesquisas. O temor, segundo relatos à coluna, é de que o movimento repita trajetórias como as de Ciro Gomes e Marina Silva, que iniciaram campanhas presidenciais com capital eleitoral relevante, mas perderam sustentação ao longo da disputa.
Filiado ao PPS, Ciro disputou o segundo lugar com José Serra (PSDB) em 2002 e, com 28% de intenção de votos, chegou a ser o principal adversário de Lula. O pleito terminou com Ciro em quarto lugar, com 11,972%, e Lula venceu Serra no segundo turno. Em 2014, Marina assumiu a candidatura a presidente pelo PSB com a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e disputou o segundo lugar com Aécio Neves (PSDB), mas caiu nos últimos meses e terminou em terceiro lugar, com 21,32%, mais de dez pontos atrás do tucano, que ficou na segunda posição e perdeu o segundo turno para Dilma Rousseff, reeleita.
O alerta ganhou força após a divulgação na semana passada da pesquisa Meio/Ideia, que indica alta volatilidade do eleitorado. Segundo o levantamento, 51,4% dos brasileiros admitem que podem mudar de candidato até outubro, índice que chega a 60,4% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro . A leitura no entorno do senador é de que parte expressiva desse apoio ainda não está consolidada e pode migrar conforme a evolução do cenário.
Políticos próximos a Flávio reconhecem a boa largada na pré-campanha, mas temem que a musculatura seja, em grande medida, de eleitores do seu pai. Esse vínculo, embora impulsione o nome do senador no curto prazo, também expõe fragilidades diante de uma disputa fragmentada no campo conservador, onde diferentes pré-candidaturas buscam ocupar o mesmo espaço político. O tom conciliador de Flávio, que foge de polêmicas, pode afugentar a base mais extremista.
Um exemplo é o avanço do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema em pautas mais alinhadas ao núcleo duro do bolsonarismo, como críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), é visto como fator adicional de risco. A avaliação é que a combinação entre a falta de eleitores leais a Flávio e a concorrência na direita pode resultar na perda gradual de intençãode voto ao longo da campanha, o que facilitaria a reeleição de Lula. Da mesma forma, haveria o risco de favoritismo de algum nome que faça um discurso mais ao gosto da direita radical.