Aliados e integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro consideram que as revelações de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), favorecem especialmente a candidatura do candidato do PL ao Planalto.

Internamente, o PL entende que o vazamento das mensagens comprometedoras envolvendo Moraes, um inimigo histórico do bolsonarismo, ajuda a reforçar a narrativa de perseguição na condução do julgamento da trama golpista, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de impulsionar as candidaturas bolsonaristas ao Senado que têm, como uma das principais pautas, fazer avançar o impeachment de ministros da Suprema Corte.

Outra leitura entre aliados do clã Bolsonaro, essa mais lateral, é de que a crise que tem Moraes em seu epicentro ajudou a desviar o foco da revelação de que os repasses de Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro foram maiores do que os valores já conhecidos. Uma reportagem da revista Piauí mostrou  que, após a cobrança de Flávio ao banqueiro, houve mais uma transferência, da ordem de US$ 1,6 milhão — o que eleva o total repassado para cerca de US$ 14 milhões (R$ 72 milhões).

Integrantes do núcleo duro da campanha do PL também avaliam que os desdobramentos do vazamento das conversas podem atrapalhar a campanha do principal adversário de Flávio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A coisa mais importante que impacta o país e fere os Poderes da República é o escândalo Moraes. Essa é a pauta. No momento, não pode ser outra”, disse um senador bolsonarista, sob reserva. 

A crise, na leitura de aliados de Flávio, também tem potencial para desgastar Davi Alcolumbre (União-AP), que resiste a pautar os pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Alcolumbre e Lula se reaproximaram recentemente, numa articulação que tem como pano de fundo interesses mútuos ligados às eleições e à sucessão no Congresso.