Alvo de uma nova fase da Operação Overclean, deflagrada nesta terça-feira, 13, o deputado federal Félix Mendonça Júnior, do PDT da Bahia, teve R$ 110,7 milhões em emendas pagas desde o início da atual legislatura, em 2023. No acumulado desde 2015, o valor chega a R$ 216,9 milhões, conforme levantamento feito pela coluna. A operação da PF nesta terça mira suspeitas de desvios em emendas de Mendonça destinadas a municípios baianos.

Por decisão de Kassio Nunes Marques, foram bloqueados R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A atual fase da operação cumpre nove mandados de busca e apreensão em Brasília e na Bahia, inclusive em endereços ligados ao deputado.

Em partir de 2023, as emendas executadas do deputado somaram R$ 36,9 milhões. Em 2024, o total subiu para R$ 38,7 milhões, atingindo o maior patamar da série histórica. Em 2025, os pagamentos chegaram a R$ 35 milhões e, em 2026, até o momento, somam R$ 141,6 mil. Em apenas três anos completos da legislatura atual, o deputado concentrou mais da metade do seu valor total em emendas desde 2015.

Parte desse volume recente foi direcionada por meio das chamadas emendas Pix, modalidade que permite transferência direta de recursos a entes beneficiados. Apenas em 2025, R$ 13,56 milhões foram pagos nessa rubrica. Os principais destinos foram municípios baianos como Euclides da Cunha, que recebeu R$ 2,97 milhões, Araci (R$ 1,48 milhão), Gentio do Ouro (R$ 990 mil), Caetité (R$ 990 mil), Boquira (R$ 978,1 mil) e Barra do Choça (R$ 891 mil), além de outras cidades do estado.

Desde 2015, os beneficiários das emendas atribuídas ao deputado foram 282 órgãos públicos, 112 empresas do setor privado e 29 beneficiários com natureza não informada. A partir da atual legislatura, são 96 órgãos públicos beneficiados — todos de municípios da Bahia —, enquanto 83 empresas privadas, espalhadas por diferentes estados, receberam recursos; além de 17 empresários, pessoas físicas, que também aparecem como favorecidos.

Segundo a Polícia Federal, o esquema investigado na Operação Overclean funcionaria a partir da destinação de emendas a municípios, seguida de licitações direcionadas, com facilitação por servidores públicos, superfaturamento de contratos e posterior desvio dos recursos, o que pode configurar crimes como organização criminosa, corrupção, fraude em licitações, peculato e lavagem de dinheiro.

O avanço da investigação ocorre num contexto mais amplo de endurecimento do Judiciário sobre o uso das emendas parlamentares. Ainda no STF, Flávio Dino assinou decisões que bloquearam a execução de emendas sem transparência, exigindo identificação de autores. Dino tem sustentado que modelos de distribuição transformaram as emendas em “moeda de troca política e criaram um ambiente propício a desvios”.