O jogo está pesado. Aliados de Alexandre de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal) têm sinalizado nos bastidores que se Edson Fachin colocar em pauta o pedido para investigá-lo outros ministros podem ser arrastados para o escândalo. As ameaças veladas ganharam tração após o presidente da corte indicar que o plenário começará a decidir se Moraes pode ser afastado em razão de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi marcada por Fachin para terça-feira, 15. Nesta sexta, 11, porém, o ministro Gilmar Mendes, decano da corte, defendeu que não há condições para que a reunião seja realizada.
Entre quem vive o dia a dia do STF, o diagnóstico é de que muitos ministros têm evitado se aproximar das “figuras radioativas” de Moraes e Mendonça, protagonistas da crise institucional sem precedentes que engolfa a corte, por receio de serem atraídos para o embate. Ganha força, inclusive, a aposta de que, caso Moraes se torne alvo de uma apuração formal por sua relação de proximidade com Vorcaro, haverá cobrança por um encaminhamento semelhante do plenário em relação a outros ministros implicados no caso Master.
A tensão em torno da sessão é tanta que, como forma de amortecer riscos e ampliar o caráter institucional do momento, a ideia é que ex-presidentes do tribunal estejam presentes, sentados nas primeiras fileiras das poltronas que cercam o plenário. Nos bastidores, na tentativa de potencializar o clima de que há muita gente com histórias a serem explicadas, não faltam emissários de diferentes lados espalhando histórias conhecidas e outras nem tanto sobre ministros da corte, na tentativa de influenciar nas posições que eles devem adotar.

