Aliados do ainda líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitem reservadamente que o envolvimento do parlamentar no escândalo do banco Master é grave e que as provas apresentadas até o momento são robustas. Apesar disso, os mesmos correligionários acreditam que ele será reeleito senador em outubro, diante da força política do PT do estado. “Na Bahia, nada pega”, resumiu um interlocutor do petista. 

Um dos fatores que devem contribuir para que a crise do Master não domine o debate público no estado tem relação com o envolvimento de outros políticos com a instituição financeira de Daniel Vorcaro. ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia e adversário do grupo de Wagner, recebeu R$ 3,6 milhões em pagamentos efetuados pelo Master e pela gestora de investimentos Reag, entre 2023 e 2024, segundo apontamentos bancários feitos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

ACM afirmou que foi contratado para prestar consultoria e que não houve “irregularidade” nos contratos, encerrados após a conclusão dos serviços. Com políticos de diversos espectros envolvidos com o Master, o tema pode não ser explorado profundamente pelos seus adversários.

Nesta segunda-feira, 22, Wagner ingressou com recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) para anular a operação da Polícia Federal. O principal argumento da equipe de defesa do parlamentar é de que — diferentemente do que sugere a investigação — ele não teria atuado para favorecer o Master no Congresso.