Embora tenha evitado comemorar efusivamente a derrota de Jorge Messias e publicizar seus movimentos nos bastidores — estratégia para se mostrar moderado e ao centro —, Flávio Bolsonaro atuou, sim, para derrotar o indicado de Lula ao STF.

Na noite da antevéspera da votação no Senado, Flávio estava convicto de que o governo tinha apenas 35 votos favoráveis a Messias — ele acabou recebendo 34.

O restante era “torcida” do Planalto e promessa de voto sem muita convicção de senadores da oposição, do MDB, do PSD e até do PSB, partido da base do governo.

Flávio foi para o corpo a corpo e conseguiu reverter votos na oposição, inclusive garantindo, ao lado de Rogério Marinho, o fechamento de questão dentro do PL e de partidos mais aliados. A coluna antecipou a percepção, no Centrão, de que, se Flávio se unisse a Davi Alcolumbre, essa seria a única chance de Messias ser derrotado.

O trabalho se concentrou, portanto, nas 48 horas que antecederam a votação. Em reunião a portas fechadas na manhã da véspera, como a coluna também antecipou, Flávio garantiu que Alcolumbre estava com a oposição e falou pela primeira vez em “dia histórico”.

O restante ficou por conta do próprio Alcolumbre, que, “excitado”, queria mandar recados para Lula e encontrou na pauta anti-STF, em ano eleitoral, caminho aberto para convencer senadores interessados em fazer barulho nas bases, argumentando que participaram de um fato histórico e, assim, tentar garantir a reeleição.

“No último ano de mandato, senador tem mais medo de povo do que vereador. E hoje só se fala em STF”, resumiu um presidente de partido à coluna.