A reaproximação entre o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva produziu um destravamento das pautas de interesse do governo. Mas não foi só isso. Ao chegar ao Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, 14, logo após a reunião entre os dois chefes de poderes, a notícia recebida pelo ministro José Guimarães (Relações Institucionais) foi de que o diálogo estava “desanuviado”. A avaliação, feita pelo presidente, referia-se tanto ao caminho que as propostas prioritárias seguirão no Senado quanto às manifestações públicas de apoio mútuo de Lula e Alcolumbre para as eleições.
De um lado, Lula espera do presidente do Senado uma declaração pública de apoio à sua reeleição, da mesma forma que fez o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-AP). “Ele [Alcolumbre] está a um passo de declarar apoio”, disse ao PlatôBR um interlocutor de Lula. De outro, Lula combinou com Alcolumbre uma visita ao Amapá, onde pretende alavancar a campanha de reeleição do atual governador, Clécio Luís (União Brasil), aliado do senador.
O encontro desta sexta-feira foi o terceiro Lula e Alcolumbre em menos de duas semanas. O primeiro ocorreu na semana passada, em um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que atuou para colocar fim a mais de quatro meses de distanciamento. Já no início da semana, Alcolumbre foi ao Alvorada e se comprometeu em ouvir as lideranças do Congresso sobre a possibilidade de votar os pedidos de Lula, entre eles as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que modificam a gestão da segurança pública e a jornada de trabalho 6×1. Lula pediu ainda a votação do projeto que cria o marco regulatório para a exploração de minerais críticos.
Outro tema mencionado pelo presidente na conversa com Alcolumbre foi o pagamento das emendas parlamentares. Lula explicou que o governo cumpriu a determinação do Congresso de pagar todas as emendas no primeiro semestre deste ano. Integrantes do governo acreditam que, após os combinados do encontro deste sexta, será possível votar tanto a PEC da Segurança quanto a que acaba com a jornada 6×1 antes das eleições. “Houve um alinhamento político nesse sentido e as notícias foram de que o caminho está livre”, disse um integrante do Palácio do Planalto ao PlatôBR.

