“O PT quer palanque para Lula no Rio. De resto, não se importa”. Dita à coluna por um dirigente petista do Rio de Janeiro, a frase traduz uma leitura corrente no PT fluminense sobre a escolha de Jane Reis, irmã de Washington Reis, como vice na chapa de Eduardo Paes ao governo estadual.
Para os petistas, o fundamental é garantir que Paes, favorito ao Palácio Guanabara, esteja no palanque de Lula em 2026. A composição com um nome conservador, com ligações com Cláudio Castro e a família Bolsonaro, não altera esse cálculo.
Desse modo, a escolha por Jane não muda a relação do PT com Paes. Pelo contrário: há quem veja no movimento um possível canal adicional de interlocução entre o MDB do Rio e Lula.
Jane pertence ao grupo político da família Reis, liderado por Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias (RJ) e cacique do MDB fluminense. Próximo da família Bolsonaro, ele deve apoiar Flávio Bolsonaro à Presidência.
No PT, a avaliação é que Paes buscou um nome de fora de seu campo político tradicional para ampliar o diálogo com eleitores evangélicos e conservadores, especialmente na Baixada Fluminense, onde a família Reis exerce influência no terceiro maior colégio eleitoral do estado.
O histórico eleitoral de Jane reforça a leitura de que a escolha não foi feita pelo potencial de votos dela, propriamente. Em 2020, ela disputou a Prefeitura de Magé pelo MDB e obteve 7.966 votos, o equivalente a 5,92% do total.
Jane Reis na vice de Paes também evoca uma daquelas ironias da política: o marido dela, o pastor Rafael Corato, chegou a ser cotado para vice de Alexandre Ramagem na eleição de 2022, exatamente contra Eduardo Paes. Corato foi descartado pelo PL por não ter o perfil adequado para a chapa.
