A volta da folia ocorre em clima de pressão no Congresso, principalmente no Senado, onde a oposição insiste na abertura de uma CPI Mista para investigar a ligação de políticos e de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com o caso Master. A instalação da comissão depende do presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que vem resistindo à ideia.
Alcolumbre se fechou e evita falar sobre o assunto. Parlamentares de oposição, no entanto, exercem dois tipos de pressão sobre ele. O primeiro é insistir na convocação de uma sessão conjunta da Câmara e do Senado para votar o veto presidencial ao projeto que reduz penas para os condenados pela tentativa de golpe de Estado. Se ele convocar a sessão, a leitura do pedido de criação da CPI passa a ser obrigatória.
Esse é o passo formal que falta para dar início à instalação da comissão. Um passo leva ao outro porque o regimento impede Alcolumbre de realizar a sessão do Congresso sem ler o pedido. Entre os governistas, as apostas se dividem. Uma parte acredita que o presidente do Senado pode postergar a convocação da sessão conjunta. Outra crê que ele acabará cedendo diante do agravamento da crise, especialmente após as últimas descobertas da Polícia Federal relacionadas ao Ministro Dias Toffoli, do STF, que inclusive o levaram a deixar a relatoria do caso na corte.
Irritação
Antes contrário à criação da CPI, o governo e o PT buscaram ajustar o discurso nas semanas que antecederam o feriado e passaram a apoiar “qualquer investigação” a ser feita pelo Congresso, fato que, de acordo com interlocutores, teria irritado o presidente do Senado.
A resistência de Alcolumbre tem motivação em fatos apontados na investigação. De acordo com a PF, a Amprev, um fundo de servidores públicos do estado de Alcolumbre, o Amapá, desempenhou um “papel central” na aquisição de R$ 400 milhões em títulos do Master. Os investigadores apontam ligações de dirigentes do fundo com o grupo político do presidente do Senado.
Outras frentes
Enquanto a CPI não sai, outras iniciativas relacionadas ao caso estão em curso no Senado. Presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) marcou para o dia 24 de fevereiro o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Master, no grupo de trabalho criado para investigar o caso Master. Calheiros pediu acesso irrestrito a todos os documentos relacionados às investigações feitas pela PF.
Em outra frente, na CPI do Crime Organizado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que no retorno do feriado de Carnaval a comissão vai votar requerimentos de quebra de sigilo e convocações. A CPI do INSS também entrou no assunto. O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), marcou para o dia 26 de fevereiro o depoimento de Vorcaro.
