Após sair na frente no primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, se esforçou para negar especulações de que cortará benefícios sociais, desvinculará o valor dos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo e cortará os salários de servidores públicos. Em meio a uma campanha propostas concretas para reduzir as despesas do governo o ritmo de crescimento da dívida pública — o que, por sinal, vale não só a candidatura de Flávio mas também para a de seu rival, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição — as elucubrações sobre o vencedor da disputa pelo Palácio do Planalto vai fazer o necessário ajuste fiscal têm corrido à solta.

Um dos cotados para comandar a equipe econômica caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o sócio da gestora QMS Capital Marcelo Kayath afirmou, em entrevista publicada pelo jornal O Globo na última sexta-feira, 9, que um eventual ajuste fiscal de 1,5% do PIB, como sinalizado pela campanha do candidato do PL, deveria ser feito de forma gradual. Enquanto Flávio evita confirmar oficialmente quais medidas serão tomadas para alcançar esse objetivo, auxiliares do parlamentar têm garantido nos bastidores, em conversas com representantes do mercado, que haverá medidas imediatas para ajustar as contas.

A ideia, em caso de vitória em 25 de outubro, dia do segundo turno, é afinar um pacote de ações para serem adotadas logo após a posse, com prioridade para medidas que não gerem desgaste com o Congresso. Fala-se, sob reserva, em um ajuste entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões somente com revisões das renúncias fiscais. Segundo auxiliares do presidenciável, também está em discussão uma reforma administrativa para reorganizar a máquina do governo federal. A modulação do que viria nessa reforma, porém, só deve ser feita após o resultado do segundo turno. Os auxiliares do filho 01 de Jair Bolsonaro na seara econômica têm discutido o custo político da iniciativa.

Em outra frente, o time econômico de Flávio estuda mudanças tanto nos valores quanto no sistema de pagamento das emendas parlamentares — estimadas em quase R$ 60 bilhões no orçamento de 2026. Uma das possibilidades é utilizar parte desses recursos para reduzir o impacto das aposentadorias nas contas públicas. Aí também há uma preocupação com a possibilidade de desgastes: ainda que avaliem a opção, a avaliação é que no front político essa solução pode ter sérios efeitos colaterais para o eventual novo governo. Outra proposta cogitada para contribuir com o ajuste fisca é enviar ao Congresso uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para mudar o arcabouço fiscal vigente no país. A tendência é de que o texto defina regras claras para a criação de novas despesas e, ainda, quem deve ser responsabilizado em caso de descumprimento das metas.