O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) tem reclamado da falta de empenho do presidente Lula em deslanchar a campanha no estado. Nesta semana, no entanto, um dos assuntos predominantes nas rodas de conversas durante o 41º Congresso Mineiro de Municípios foi justamente a ausência do próprio Pacheco no estado. A reclamação é de que o senador “não colocou os pés em Minas”, após sua filiação ao PSB no início de abril. Políticos presentes ao encontro organizado em Belo Horizonte pela AMM (Associação Mineira de Municípios), consideraram o senador como “carta fora do baralho” na disputa.
Entre prefeitos e vereadores, cerca de 5 mil pessoas participaram do congresso. Passaram pelo pavilhão quase todos os nomes cotados para concorrer ao governo, entre eles o atual governador, Mateus Simões (PSD), o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e o pré-candidato do MDB, Gabriel Azevedo. O Congresso também foi prestigiado por quem pensa em concorrer ao Senado como a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), Áurea Carolina (PSOL), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP).
Além da falta de disposição de Pacheco, existe dentro do PT a suspeita de traição a Lula no episódio da rejeição de Jorge Messias para a vaga no STF, embora ele tenha trabalhado publicamente pela aprovação. “Ele vai ser o candidato da desconfiança”, disse um petista do estado. Mas Pacheco ainda não jogou a toalha. “Vou analisar. Acho que até o final deste mês de maio é um bom tempo”, afirmou o senador no Congresso.
Plano B do PT
Com dúvidas sobre Pacheco, o PT nacional começou a buscar alternativa. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), que assumiu nesta terça-feira, 5, a coordenação do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do partido, disse que realizará uma reunião, ainda sem data marcada, com as lideranças petistas locais para definir um novo candidato. Entre as possibilidades estão políticos do próprio partido, como a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, ou mesmo nomes de outras legendas. Ao falar de Josué Alencar (PSB), filho de José Alencar, que foi vice de Lula nos dois primeiros mandatos, Tatto não descartou a possibilidade: “Tudo pode acontecer”, disse ao PlatôBR.
Tatto lamentou não poder mais contar com os nomes do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) ou da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), que não se desincompatibilizaram dos cargos no tempo exigido pela Justiça Eleitoral. O partido tem também enfrentado dificuldades de diálogo com Kalil, segundo colocado nas pesquisas, atrás de Cleitinho. “Ele fala mal do PT e o PT fala mal dele. Como fazer um casamento se a noiva e o noivo ficam falando mal um do outro?”, afirmou o deputado sobre o pedetista.