Uma parceria forte se formou no Senado enquanto o presidente da casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda experimenta um clima de estranhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma dobradinha entre Alcolumbre e senadores da direita deve render, a partir desta semana, discussões que servem para a base conservadora e religiosa fazer barulho nas eleições com as chamadas pautas de costumes.

Os senadores Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF) foram os que mais aproveitaram o clima ruim entre os dois chefes de poder ao conseguir com Alcolumbre a promessa de instalação, nesta semana, de uma CPI para investigar crimes de pedofilia.

O presidente do Senado ordenou que os líderes partidários indiquem até a próxima semana os nomes que vão compor a comissão pedida pelos dois parlamentares evangélicos. O colegiado foi criado na época das denúncias de adultização de crianças nas redes sociais, porém não chegou a ser instalado.

O dois senadores da oposição também aprovaram um requerimento de urgência para a criação de uma frente parlamentar em defesa de psicólogos cristãos. Essa iniciativa tem o objetivo de recuperar uma pauta de altíssimo apelo entre os eleitores evangélicos: a questão da “cura gay”.

Duas resoluções
Atualmente, terapias que visam a reversão sexual são vedadas pelo Conselho Federal de Psicologia, que não considera a homossexualidade como um doença, distúrbio ou desvio a ser tratado, mas uma variação natural da sexualidade humana. A proibição é estabelecida em duas resoluções. Uma, de 1999, determina que psicólogos não devem exercer qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas.

A outra, de 2023, reforça o caráter laico da profissão, impedindo que profissionais utilizem argumentos, preceitos ou rituais religiosos para justificar terapias de conversão. O entendimento do conselho foi respaldado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que extinguiu ações que buscavam legalizar essas terapias.

A rixa com Alcolumbre começou em novembro do ano passado, quando Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias para o STF e subiu de patamar depois que o Senado rejeitou a escolha do petista. Na última sexta-feira, 29, Lula disse que pretende mandar de novo o nome de Messias para a vaga no Supremo, fato que provoca o aumento da tensão com o presidente do Senado.