Um sindicato filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), central sindical historicamente ligada ao PT e a Lula, atuou diretamente na aprovação, pelo Senado, da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. A bancada petista também apoiou a medida, que foi aprovada na terça-feira, 25, e é tratada pela equipe econômica de Lula como ameaça ao equilíbrio fiscal.
A Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias (Fenasce), vinculada à CUT, pressionou nos bastidores para destravar a pauta. Representantes dos servidores contaram à coluna que as articulações ganharam força na fase final da tramitação, com conversas diárias com deputados, senadores e líderes partidários.
O avanço do texto ocorreu justamente quando o governo passou a enfrentar maior desgaste com o comando do Congresso. A votação foi pautada por Davi Alcolumbre poucas horas após a indicação de Jorge Messias ao STF, contra quem o presidente do Senado tem trabalhado. Com exceção do Novo, orientaram voto favorável, inclusive o PT.
Agora enviado à Câmara, o projeto prevê aos agentes de saúde idade mínima reduzida, aposentadoria integral, paridade com a ativa e regras flexibilizadas de contribuição. Com as mudanças, a Confederação Nacional de Municípios estima impacto de até R$ 103 bilhões no déficit das cidades nas próximas décadas.
O Ministério da Fazenda já sinalizou que recomendará a Lula vetar o texto.
