O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deverá mesmo deixar o cargo após as revelações de que ele teria recebido vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, dono no banco Master. De acordo com membros do governo e do PT, o que mais pesa para a decisão de Wagner foi a falta de apoio dentro do próprio partido por causa do impacto das investigações na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Permanecer na liderança significa deixar esse assunto no colo do governo. Sair é tratar a coisa como pessoa física. Sair para se defender não é uma desonra”, disse sob reserva um dirigente do PT.
Quanto à candidatura de Wagner à reeleição, o PT ainda quer esperar o impacto das investigações contra o senador em sua popularidade. Membros do partido avaliam que Wagner tem uma excelente biografia, no entanto, é preciso ainda entender os critérios que deverão ser utilizados para a decisão de voto. “O que ele é acusado de ter feito anula a história dele? Essa é uma questão a ser respondida”, avaliou esse dirigente. Outro pergunta que o PT espera uma resposta é se, diante das acusações, a presença dele na chapa prejudica ou ajuda na eleição. Essas dúvidas precisam ser dirimidas até a convenção na Bahia, que deve ocorrer no início de agosto.
Reunião com Lula
Uma reunião entre Wagner e Lula está sendo esperada para esta semana, entre esta segunda, 22, ou terça-feira, 23. As pressões para a saída imediata da liderança ocorrem apesar da nota emitida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, reafirmando a confiança no petista. Essas avaliações também relativizam a inação de Lula em relação ao amigo de 40 anos que foi alvo de busca e apreensão determinadas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada. “Não se deve deixar de ouvir a opinião pública”, disse um auxiliar do governo.
Dentro do partido, o comportamento diferenciado dado a Wagner incomodou. Nomes como o deputado Rogério Correa (MG) e Alberto Cantalice (RJ), presidente da Fundação Perseu Abramo, foram os primeiros a reclamar nas redes da permanência de Wagner. Eles se posicionaram ainda na semana passada pelo afastamento do senador da liderança. O coro foi endossado por petistas históricos, como o ex-deputado José Genoino (SP).