Apesar das pressões para que o caso Master entre na pauta do Congresso volta aos trabalhos, no início de fevereiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vai priorizar a articulação para aprovar o mais rapidamente possível o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
O Planalto ainda finaliza a mensagem que será enviada ao Congresso com o texto do acordo. Em paralelo, está em fase de organização o envio de uma missão diplomática brasileira à Europa para defender o tratado, que para entrar em vigor ainda depende do aval dos parlamentos nacionais de todos os países envolvidos. O grupo deverá contar com o próprio Alcolumbre e com outros parlamentares convidados por ele.
Para o governo, além de ser uma forma de aproximação com o senador, esse é também um meio de dar mais peso institucional às negociações. Ao dar protagonismo a Alcolumbre na montagem da missão, o Planalto busca melhorar o relacionamento com o presidente do Senado.
“A escolha do presidente do Congresso é excelente porque é uma pauta positiva e uma conquista conjunta. A ida de Alcolumbre vai ajudar o governo a passar a clara percepção da importância desse acordo”, disse um integrante do governo, sob reserva.
A ideia é que Alcolumbre ajude, ainda, a dar um caráter supra-partidário à viagem, estendendo o convite a parlamentares da oposição, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro e umas das principais lideranças da bancada do agronegócio, setor diretamente afetado pelo acordo.
Reconstrução da relação
A aproximação com Alcolumbre é fundamental para o governo. O presidente do Senado terminou o ano passado descontente com o Planalto por causa da indicação do ministro Jorge Messias (Advoocacia-Geral da União) para o STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre preferia o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e se irritou ao não ser contemplado por Lula.
Entre os vários motivos que levam o Planalto a reconstruir a relação estão votações que devem entrar na pauta do Senado nos próximos meses. Cabe a Alcolumbre, por exemplo, marcar a sessão conjunta do Congresso para a apreciação de vetos assinados recentemente por Lula. Pelo menos um deles é caro ao governo. Trata-se do chamado PL da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados pela trama golpista. O texto foi vetado integralmente por Lula último dia 8 de janeiro.
Há, ainda, as investidas da oposição e de outros setores do Parlamento para criar uma CPI para investigar as suspeitas que envolvem o Banco Master. Nesse caso, nem o Planalto nem Alcolumbre querem a investigação. Nos bastidores, o governo alega que a investigação já vem sendo feita pela Polícia Federal e que não será positivo dar um tratamento político para o assunto às portas das eleições.
Outro motivo para o governo buscar a aproximação com Alcolumbre está no interesse de aprovar pautas que servirão de discurso na campanha à reeleição do presidente. Entre os assuntos que o governo quer ver deslanchar tanto na Câmara quanto no Senado está a proposta que acaba com a jornada de trabalho 6×1. A pauta tem ainda a PEC da Segurança, mais uma de interesse do governo, e a própria tramitação da indicação de Jorge Messias.
