As primeiras reações no Palácio do Planalto foram de desconfiança e preocupação após o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compor o “Conselho da Paz”, que decidirá o futuro da Faixa Gaza.
Segundo interlocutores, o convite surpreendeu Lula e foi considerado uma armadilha diante das tensões da Casa Branca com a Europa e do discurso em defesa da soberania encampado pelo presidente brasileiro após a invasão americana à Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
A falta de clareza sobre os objetivos reais de Trump com o convite tem preocupado os auxiliares do petista, que temem as consequências qualquer que seja a decisão – tanto no caso de Lula aceitar quanto no de negar. Entre os cenários traçados, caso o presidente recuse o assento no conselho, há o temor de que novas tarifas sejam impostas ao Brasil, bem como de interrupção no processo de reaproximação com o governo dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira, 19, Lula se reuniu com o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) e com o ministro Rui Costa (Casa Civil) para tratar do assunto. Novas conversas devem ocorrer ao longo da semana.
Em meio as incertezas, auxiliares do presidente afirmaram que os próximos passos serão tomados com cuidado para preservar as posições históricas do governo brasileiro, de defesa do diálogo, do multilateralismo e da soberania nacional, e ao mesmo tempo tentar manter alguma proximidade com Trump.
