A caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados pelas invasões do 8 de Janeiro de 2023 terminou na tarde deste domingo, 25, em Brasília, sob forte chuva, com críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e um incidente grave provocado pela queda de um raio.

Foi no momento de maior concentração de apoiadores que uma descarga elétrica atingiu a área onde estava o público. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal informou que atendeu 89 pessoas no local. Dessas, 47 foram levadas a hospitais. Segundo a corporação, entre as vítimas ao menos oito apresentavam condições instáveis.

A cena foi acompanhada de perto pelos parlamentares que participavam da manifestação. O senador Izalci Lucas (PL-DF) disse ao PlatôBR que o raio atingiu pessoas que estavam próximas a uma grade metálica e que o atendimento foi imediato. “As pessoas estavam perto de uma grade metálica atingida pelo raio. Os bombeiros estavam lá e prestaram atendimento imediato. Foi tudo muito rápido, mas graças a Deus todos foram levados para o hospital”, afirmou.

Além do susto com o incidente, o mau tempo também esvaziou parcialmente o ato. Segundo Izalci, a chuva intensa fez com que parte do público, especialmente idosos e pessoas com crianças, deixasse a Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental da capital, a menos de dois quilômetros da entrada do quartel-general do Exército onde entre 2022 e 2023 militantes bolsonaristas montaram o acampamento desmontado apenas depois do fatídico 8 de Janeiro.

O encerramento da caminhada iniciada em Paracatu (MG) na segunda-feira, 19, contou com a presença de lideranças do bolsonarismo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apareceu de surpresa, falou com manifestantes e disse que orou com Nikolas antes do discurso final. “É um evento orgânico, conduzido por Deus. Nós estamos aqui lutando pela libertação da nossa nação. Que Deus abençoe vocês”, afirmou.

No palanque, Nikolas manteve o tom de ataque ao ministro Alexandre de Moraes, mas pediu que os apoiadores não promovessem “invasões” nem seguissem em direção à Esplanada dos Ministérios. “Nós não vamos vencer a tirania de Moraes na marra. Nós não vamos ganhar assim. Nós não vamos vencer invadindo nenhum lugar”, disse.

A manifestação reuniu 18 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político, projeto da USP (Universidade de São Paulo) em parceria com a ONG More in Common.