O episódio Alexandre de Moraes na novela da República tinha potencial para produzir um raro consenso nacional e fazer o que ninguém conseguiu nos últimos 10 anos: unir o Brasil inteiro.
As manifestações deste 7 de Setembro poderiam, sim, impulsionar, no timing certo, o grito de “fora, Moraes”. Só que, em ano eleitoral, quem convocou a população às ruas tinha em mente, claro, um outro cálculo político desde o início.
Com algum êxito, o bolsonarismo conseguiu capitalizar a data mais uma vez, transformando o dia cívico em ato de campanha.
Com bandeiras brasileiras e americanas, candidatos e apoiadores de Flávio fizeram do 7 de Setembro não um “fora, Moraes” uníssono, mas um “fora, Moraes, fora, Lula, e vem, Flávio, só o Flávio, mais ninguém”.
Parece que deu certo, ao menos para reforçar o ânimo da militância e mostrar força para fora dela, no momento mais acirrado da disputa presidencial.
Tudo nos atos de 7 de Setembro foi devidamente calculado para enaltecer Flávio. O “fora, Moraes” serviu apenas de uma excelente desculpa.
Romeu Zema apareceu na Paulista e chegou a ser hostilizado por um apoiador de Flávio Bolsonaro, que insinuou que o candidato do Novo à Presidência não era bem-vindo porque “falou mal do Flávio”.
Já Silas Malafia aproveitou os holofotes do dia para chamar de “analfabeto político de alto grau” o candidato Augusto Cury, o único fora da polarização que conseguiu alcançar a casa dos dois dígitos nas intenções de voto.
Como noticiamos na semana passada, a campanha de Flávio aposta no entendimento de que “Moraes é Lula” para surfar eleitoralmente na situação sem precedentes no STF.
Nesse sentido, a figura dos “Moraesminions” dá uma mãozinha. Fãs do ministro do STF que temem o impacto da crise em curso sobre a campanha de Lula fazem questão de escancarar a defesa de Moraes por meio de malabarismo intelectual ou da tal “falsa simetria” — expressão já desgastada — com outras relações de Vorcaro. Agindo assim, ajudam e muito Flávio, como as pesquisas já começaram a mostrar.
De novo, não importará a quantidade de pessoas na Avenida Paulista. O feriado que terminou com o levantamento da Quaest indicando, pela primeira vez desde março, empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno é motivo de comemoração para a campanha do PL.

