CNI debate em Nova York o papel da indústria para reforçar laços entre Brasil e EUA
Encontro promovido pela CNI discutirá uma agenda comum para impulsionar a competitividade industrial, com foco em investimentos, inovação, financiamento e integração de cadeias de valor
Com relações comerciais de mais de 200 anos e uma corrente de comércio que totalizou US$ 83 bilhões em 2025, Brasil e Estados Unidos têm buscado formas de manter a parceria histórica mesmo diante dos desafios recentes na agenda bilateral. Com uma pauta de exportações e importações baseada em produtos de alto valor agregado, investimentos e integração produtiva, as empresas brasileiras e americanas seguem buscando oportunidades de negócios para a geração de riquezas, emprego e renda para os dois países.
O aprimoramento contínuo da relação bilateral será debatido durante o “Brasil-U.S. Industry Day”, promovido pela CNI(Confederação Nacional da Indústria), em parceria com a U.S. Chamber of Commerce. O encontro será realizado no próximo dia 11 de maio, das 16 às 21 horas, na Glasshouse, em Nova York, e é parte da Brazil Week, a tradicional semana de debates que ano após ano discute na cidade americana os laços entre as duas nações.
São esperados 300 líderes empresariais, investidores e autoridades dos dois países para discutir uma agenda comum para impulsionar a competitividade industrial, com foco em investimentos, inovação, financiamento e integração de cadeias de valor.
A parceria econômica com os Estados Unidos é estratégica para a indústria brasileira, com fluxos comerciais e de investimentos altamente diversificados. A cada R$ 1 bilhão em exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2024, foram gerados na economia brasileira 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
O evento promovido pela CNI reforçará o papel da entidade como formuladora de políticas econômicas e industriais, além de promover o diálogo entre setor privado e governo na busca por fortalecer a relação bilateral em temas como transição energética, infraestrutura, tecnologias digitais, saúde e minerais estratégicos.
“Em um cenário de comércio global mais incerto, fortalecer parcerias industriais estratégicas como essa é fundamental para garantir resiliência, segurança e crescimento sustentável. O diálogo da indústria com o setor público tem a capacidade de transformar essa relação em oportunidades de investimento, criação de empregos e integração produtiva”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Palestras e prêmio
A programação do Brasil-U.S. Industry Day começa com um painel sobre as iniciativas bilaterais para tornar cadeias de valor de áreas estratégicas mais resilientes e competitivas, com participação de representantes de grandes empresas como Gerdau, Vale, Merck e PepsiCo.
Já o segundo painel focará na agenda econômica e nas oportunidades de médio e longo prazo com os investimentos em transição energética, infraestrutura e desenvolvimento industrial no Brasil. Estão confirmadas instituições financeiras como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Bank of America.
Durante o evento também haverá a entrega do Brasil-U.S. Industry Award, um reconhecimento a empresas e instituições que contribuem de forma estratégica para fortalecer as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
Serão destacadas iniciativas do setor privado, universidades e instituições de ciência e tecnologia, tanto brasileiras quanto americanas, que impulsionam a integração produtiva, a inovação e a transformação industrial. O prêmio está estruturado em três categorias: Integração Econômica Brasil-Estados Unidos; Inovação e Transformação Industrial; e Diplomacia Institucional.
Âncora industrial
Nos mais de 200 anos de história, a relação econômica entre os dois países é robusta, diversificada e fortemente ancorada na indústria. Os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos, com concentração na indústria de transformação. Na última década, o saldo em favor dos americanos foi de US$ 101,3 bilhões no comércio de bens e de US$ 274,5 bilhões quando incluídos os serviços.
Em 2025, 11 estados americanos importaram mais de US$ 1 bilhão em produtos brasileiros. Cinco estados concentraram 66,4% das importações provenientes do Brasil no mesmo ano, com destaque para Flórida (18,9%), Texas (15,5%), Califórnia (14,4%), Luisiana (9,0%) e Nova York (8,6%).
O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos é marcado por complementaridade, com forte peso da indústria de transformação. Entre 2016 e 2025, esse setor respondeu por 81,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos e por 90% das importações de produtos brasileiros realizadas para o mercado americano.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a agenda brasileira com os Estados Unidos transcende desafios conjunturais e deve ser reforçada para evitar que políticas comerciais de um ou outro governo deixem sequelas que não possam ser contornadas.
“O evento será um momento para continuar essa construção onde a indústria olha para essas relações, traz contribuições do ponto de vista da agenda de investimentos, comércio e de outras temáticas como a agenda digital e de cooperação tecnológica na área de minerais críticos, para citar um exemplo”, diz ela. Liderança nos investimentos
Os Estados Unidos são o país com o maior volume de investimento no Brasil. Em 2024, o estoque de investimentos diretos totalizou US$ 232,8 bilhões. Quanto aos investimentos diretos brasileiros na maior economia do mundo, US$ 28,5 bilhões foram destinados ao mercado americano no mesmo ano.
Em 2025, o fluxo de investimentos diretos provenientes dos Estados Unidos totalizou US$ 8,5 bilhões. Já o fluxo de investimentos do Brasil nos Estados Unidos totalizou US$ 5,2 bilhões.