Para o vice-presidente da Scala Data Centers, Luciano Fialho, o Brasil reúne condições para se consolidar como um hub global de processamento de dados e de inteligência artificial. O diagnóstico foi feito durante sua participação no Conexão 2030: O futuro do Brasil que constrói, promovido pelo PlatôBR em parceria com a Lotus nesta terça-feira, 4, Brasília.
Fialho avalia que o país conta com vantagens competitivas, incluindo a disponibilidade de matriz energética renovável, a ampla digitalização de serviços e a capacidade de atrair investimentos bilionários. O executivo pontuou que o Brasil pode ir além do consumo de tecnologia e assumir uma posição estratégica na economia digital ao processar dados tanto de empresas quanto de governos de outros países.
“A gente pode exportar energia com valor agregado através de dados. Eu posso trazer os dados de outros países, processar aqui, especialmente inteligência artificial, e devolver”, afirmou ele durante o painel “Tech e infra: inteligência artificial e datacenters como nova fronteira do desenvolvimento”, ao lado do CEO da EQI Asset, Ettore Marchetti, e de Rafael Prudente, sócio da Arton Capital.
Para Marchetti, o Brasil reúne atributos que o colocam em posição estratégica na corrida global pelos investimentos em data centers. “O Brasil é absolutamente estratégico. Tem energia limpa, terra barata, água ainda abundante e uma posição geopolítica neutra. Isso faz com que o país fique muito propenso a receber esses investimentos”, afirmou, ressaltando, porém, as incertezas do mercado em relação ao alto volume de capital necessário para financiar a expansão da infraestrutura digital.
Já Rafael Prudente, da Arton, entende que o interesse dos investidores pelo setor de data centers cresce, mas ainda esbarra na alta rentabilidade da renda fixa no Brasil. “O maior concorrente de qualquer investimento hoje no Brasil é o CDI. O custo de oportunidade está muito alto. Mesmo assim, a gente tem sentido que o investidor está buscando ativos ligados à economia real”, observou.
Esporte como produto
Se a tecnologia desponta como uma nova frente para ampliar a presença brasileira no mercado internacional, o esporte já exerce esse papel há décadas. Treze vezes campeão mundial de jiu-jitsu, Roberto “Cyborg” Abreu afirmou no encerramento do evento que a modalidade se consolidou como um dos principais produtos de exportação do país. “Os produtos que o Brasil mais exporta seriam cachaça, futebol e samba. Eu discordo. Acho que tem um [produto] muito importante chamado jiu-jitsu”, disse ele no painel de encerramento, ao lado do co-CEO da Lotus, Ruy Hernandez.
Segundo Cyborg, a arte marcial genuinamente brasileira reúne milhares de praticantes em mais de 100 países e conta com faixas-pretas formados no Brasil que atuam no exterior não apenas ensinando a modalidade, mas promovendo transformação social por meio do esporte. “O jiu-jitsu é a maior ferramenta de autoconhecimento e transformação que existe. Foi assim que começou na minha vida, e é assim que impacta a vida de outras pessoas.”

