O governo do Distrito Federal entra em 2026 com mais dinheiro no caixa do que no ano passado e menos margem para os puxadinhos da política. A Lei Orçamentária Anual (LOA) sancionada no último dia de dezembro fixou em R$ 45,9 bilhões o orçamento do Tesouro Distrital, um crescimento de quase 12% em relação a 2025.

Com os estimados R$ 28,4 bilhões em recursos do fundo constitucional que banca uma parte significativa das despesas do governo local, o volume total disponível para a capital federal chega a cerca de R$ 74,4 bilhões. O fundo é destinado às áreas em segurança pública, saúde e educação.

A Secretaria de Economia do DF projeta um crescimento de quase 20% na receita tributária, puxada principalmente pelo Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Serviços (ISS) e Imposto de Renda (IR), o que pode consolidar uma base própria de arrecadação em torno de R$ 28,7 bilhões.

O desenho do gasto público revela que as contas do Distrito Federal estão voltadas majoritariamente à manutenção da máquina. Despesas com pessoal e encargos sociais concentram cerca de 65% do total, enquanto os investimentos diretos permanecem modestos, pouco acima de 2,6% do orçamento completo.

Na Câmara Legislativa, o equivalente local às assembleias dos estados, deputados distritais fizeram valer a caneta: mais de 500 emendas parlamentares redirecionaram cerca de R$ 828 milhões, com objetivo de incluir no orçamento demandas regionais, com direito, claro, a agradar as bases políticas.

O nó, contudo, está na execução. Por ser ano de eleições, o governo terá de operar com freio puxado. Publicidade institucional, contratações e transferências ficarão sob vigilância ainda maior, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nos bastidores do Palácio do Buriti (foto), a sede do governo local, a leitura é simples e direta: dinheiro há, mas qualquer passo fora da linha pode virar um problema. Aliás, o que nenhum governante deseja nas vésperas do esperado encontro entre o eleitor e as urnas.