A condução do caso Master pelo ministro André Mendonça tem potencial para pôr à prova, no Supremo, o tabuleiro de relações entre ele, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Os três magistrados têm históricos bastante distintos entre si — e, agora, o futuro político e institucional de Moraes e Toffoli pode acabar, em alguma medida, nas mãos do relator da investigação.
A relação de Moraes e Mendonça é marcada por tensão antiga. Os dois já protagonizaram discussões públicas no plenário e embates reservados no tribunal. O ponto de maior atrito foi o 8 de Janeiro. Sempre que Mendonça levantou a hipótese de que poderia ter havido algum tipo de facilitação ou falha deliberada do governo Lula na contenção dos ataques golpistas, Moraes reagiu com forte irritação. A divergência se tornou a espinha dorsal da desconfiança entre ambos.
Atualmente, o clima entre os dois está frio. Moraes é visto como o ministro que mais confronta Mendonça em discussões jurídicas e políticas. Esse histórico torna ainda mais sensível o fato de que o caso Master, dependendo de seus desdobramentos, pode tangenciar o próprio Moraes.
Já com Dias Toffoli o ambiente é bem diferente. A relação entre Mendonça e o ministro é descrita como cordial e até marcada por certa gratidão. Interlocutores dos dois relatam que Mendonça nunca esqueceu a atuação de Toffoli em um momento crucial de sua indicação ao STF.
Quando Jair Bolsonaro cogitou desistir de indicar Mendonça ao Supremo, atendendo a pressões de Flávio Bolsonaro para escolher o então procurador-geral da República Augusto Aras, Toffoli atuou para convencer o presidente a manter o nome do então advogado-geral da União.
