O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel acionou o STF nessa quarta-feira, 18, para pedir o trancamento de uma ação penal a que ele responde no STJ. O MPF apontou no caso uma suposta organização criminosa que teria atuado no âmbito de contratos com organizações sociais e contratos da Secretaria de Ciência e Tecnologia do governo do Rio.
A ação penal havia sido enviada à primeira instância da Justiça Federal do Rio de Janeiro em maio de 2021, após Witzel ter sido cassado e perdido o foro privilegiado. Ele foi sucedido por seu vice, Cláudio Castro.
Com o novo entendimento do STF sobre o foro, no entanto, o processo contra Witzel retornou em setembro de 2025 ao STJ, instância responsável por julgar governadores.
Conforme decidiu o Supremo, o foro privilegiado segue valendo mesmo depois que o réu ou investigado deixa o cargo, desde que o caso trate de supostos crimes cometidos no exercício da função e em razão dela — como é a situação de Wilson Witzel nesse processo.
O habeas corpus movido pela defesa de Witzel no STF alega irregularidades ao longo das investigações conduzidas na Justiça Federal do Rio de Janeiro. O pedido para trancar a ação penal está em segredo de Justiça. Após a publicação desta reportagem, a ação foi distribuída a Kassio Nunes Marques.
Sobre o processo no STJ, Wilson Wizel afirmou que “nenhum dos contratos mencionados pelo MPF foi contestado pelo TCE, CGE, procuradoria do estado ou MP”.
Witzel é pré-candidato ao governo do Rio em outubro e deve se filiar ao Democracia Cristã para concorrer.
(Atualização às 18h04 de 21 de fevereiro de 2026: A coluna publicou inicialmente que o processo a que Wilson Witzel responde no STJ tratava dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em supostos desvios na contratação de hospitais de campanha e em compras de respiradores e medicamentos durante a pandemia de Covid-19. Após a publicação, Witzel entrou em contato com a coluna e disse que o processo em questão trata de outras suspeitas. Segundo o ex-governador, o Ministério Público Federal aponta no caso a existência de uma organização criminosa que teria atuado em contratos com organizações sociais e de uma secretaria de seu governo. A informação foi corrigida).
