O Arthur Lira (PP-AL) foi o nome acertado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Palácio do Planalto para relatar o projeto de lei que isenta do pagamento de Imposto de Renda as pessoas que recebem até R$ 5 mil. Até o início da tarde desta quarta-feira, 3, ainda não havia sido feito anúncio oficial da escolha, mas interlocutores do governo confirmaram a informação.
Com a concordância em relação à indicação do ex-presidente da Câmara, Lula faz mais um gesto no sentido de atrair para o palanque do candidato governista em 2026 forças políticas aliadas do governo de Jair Bolsonaro. O petista pode até apoiar Lira para Senado. Aliado de Lula, o senador Renan Calheiros é candidato à reeleição. Duas vagas estarão em disputa.
Lula fez outros gestos para se aproximar de, pelo menos, uma parcela do Centrão. O petista chegou a dizer a Lira e ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) que eles poderiam ocupar cargos no ministério. Além disso, Lula convidou os dois para a viagem que fez na semana passada ao Japão e ao Vietnã. Na comitiva também estavam os atuais presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A concordância de Lula com o nome de Lira aconteceu depois da viagem.
A escolha em comum acordo com a cúpula da Câmara é mais uma amostra dos esforços que Lula faz em busca de alianças com o objetivo de isolar o bolsonarismo e ter palanques capazes de vencer a direita nas próximas eleições. Apesar de Lira ter sido o artífice do orçamento durante o governo Bolsonaro, e ter procurado condicionar as votações à liberação de emendas, a relação dele com a ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, não tem os conflitos que tinha com o antigo titular da pasta, Alexandre Padilha.
Quando Gleisi foi nomeada para o cargo no Planalto, Lira reagiu positivamente, disse a interlocutores que se tratava de uma pessoa que “sabe negociar”. Nesse contexto, o nome do ex-presidente da Câmara passou a ser palatável ao Planalto. Antes, o nome do Centrão favorito para assumir a relatoria era o do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-AL). Essa indicação, no entanto, esbarrava no fato de que Aguinaldo é da Paraíba, e não seria interessante eleitoralmente para Motta, lançar luz sobre outro nome que estará na disputa pela reeleição em 2026.
A função de relator da proposta de isenção do IR era disputada na Câmara. Lira terá nas mãos o principal projeto do governo na tentativa de melhorar a popularidade do presidente. Com escolha, Motta também tenta retribuir a Lira o apoio que recebeu do antecessor para chegar à presidência da Casa.