A menos de três meses do prazo para desincompatibilização do cargo para se candidatar em outubro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) segue com o futuro incerto. Embora ele sinalize a interlocutores que decidirá seu destino em fevereiro, a avaliação dentro do governo é que a definição deve ficar para março, quando o quadro partidário e eleitoral estará mais claro. O desejo de Leite continua sendo disputar a Presidência da República, mas o quadro nacional é visto por aliados como cada vez mais adverso. “O cenário da Presidência está muito difícil para ele, e ele não quer renunciar de novo para correr risco de perder”, disse um interlocutor, sob reserva, referindo-se aos movimentos feitos por Leite em 2022.
Nesse contexto, o PSD passou a tratar o governador como plano A para a disputa ao Senado no Rio Grande do Sul, sem que haja, por enquanto, um nome alternativo na mesa. A avaliação de aliados é que essa seria a melhor opção eleitoral para Leite.
Dentro do Palácio Piratini, porém, cresce a avaliação de que Leite pode optar por não disputar nenhuma eleição em 2026 e permanecer no cargo até o fim do mandato. Nesse caminho, ele evitaria misturar nova saída do Executivo com riscos eleitorais depois da experiência de 2022, No cargo, ele usaria o restante do governo para impulsionar a candidatura do vice, Gabriel Souza (MDB), à sucessão estadual.
A decisão, no entanto, envolve múltiplas variáveis: o espaço do PSD na chapa estadual, a estratégia do MDB, o desenho da eleição ao Senado e o próprio cálculo pessoal do governador. Embora bem posicionado nas pesquisas, aliados reconhecem que Leite faz contas cautelosas e que, hoje, o cenário mais realista é de espera.
