Aécio Neves acredita que ressuscitou o PSDB. E não só isso: confia que a sigla poderá voltar a ser protagonista na eleição de 2030, inclusive com um presidenciável competitivo. E tem um plano para isso.

Desde que assumiu o comando do partido, em novembro do ano passado, a bancada tucana na Câmara passou de 13 para 18 deputados, um crescimento de 38%.

Para outubro, Aécio Neves calcula, com planilhas e alguma torcida, chegar a 35 ou até 40 deputados, patamar semelhante ao de siglas como MDB e Republicanos. “Aí a gente volta para a primeira prateleira da política nacional”, costuma dizer.

Aécio sustenta que o PSDB é hoje o único partido de centro “de verdade” do país, por não ter abraçado os polos nem participado formalmente dos governos de Lula ou de Jair Bolsonaro.

O deputado, há quatro décadas na vida pública, critica o que chama de “pragmatismo exagerado” de legendas como o PSD, de Gilberto Kassab, com quem a relação já foi melhor.

Seu raciocínio é simples: melhor voltar a crescer devagar, mas com identidade e consistência, do que ostentar uma grande bancada “fingindo ser centro”.

Aécio aposta que o eleitorado perceberá essa diferença em 2030, quando Lula já não estará mais no jogo político e o bolsonarismo poderá viver uma transição ainda imprevisível.

O PSDB tem feito pesquisas internas para medir a rejeição aos polos e entender o comportamento do antigo eleitor social-democrata. Os dados mostram uma mudança gradual: em 2018, 78% dos tucanos históricos votaram em Bolsonaro; em 2022, esse percentual caiu para 58%.

Os ventos da política seguem soprando para a direita, e isso também se reflete no PSDB: cerca de 70% do partido hoje se inclina mais à direita, enquanto os demais ainda flertam com o lulismo, mais do que propriamente com o petismo.

Aécio vê um movimento de retorno ao centro que, na avaliação dele e de outros atores de Brasília, deve ganhar força nos próximos anos. Por isso, defende que o partido permaneça neutro e libere seus mandatários na eleição deste ano.

A cartilha tucana para tentar se firmar como alternativa de centro está praticamente pronta: responsabilidade fiscal, liberalismo econômico, pragmatismo na política externa e requalificação dos programas sociais. Sobre este último ponto, Aécio costuma resumir assim: “O PT se especializou em administrar a pobreza, não em superá-la”.

Convencido de que haverá uma “avenida ao centro” até 2030, Aécio começou a reunir “gente nova” para o partido. Quer atrair nomes de fora da política dispostos a pensar o país em um cenário pós-polarização — caso essa era realmente se confirme.

Cortejado para disputar novamente o Senado por Minas Gerais, onde aparece bem nas pesquisas, o hoje deputado Aécio afirma a interlocutores que está gostando de comandar o PSDB. Não descarta uma candidatura competitiva, claro, mas diz que seu foco principal está logo ali adiante: 2030.